Campanha visa intensificar vacinação em fronteiras do Mercosul BR

Guterres disse que em relação à pandemia, uma vacina, por si só, não é suficiente.
Unicef/ UN066747/Rich
Guterres disse que em relação à pandemia, uma vacina, por si só, não é suficiente.

Campanha visa intensificar vacinação em fronteiras do Mercosul

Saúde

Iniciativa tem como objetivo aumentar imunização contra sarampo, febre amarela e outras doenças; campanha será realizada, simultaneamente, conforme calendário de vacinação de cada país.

Uma campanha para intensificar a vacinação nas fronteiras do Mercosul foi lançada pelo Brasil e pelo Paraguai nesta segunda-feira.  

A iniciativa busca aumentar a imunização contra sarampo, febre amarela e outras doenças nas cidades fronteiriças dos países que compõem atualmente o Mercosul, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

A campanha foi lançada no município de Ponta Porã, no estado do Mato Grosso do Sul, e vai seguir o calendário de imunização de cada país.

A OMS recomenda que os países mantenham a cobertura de vacinas num mínimo de 95%.
O sarampo foi identificado em 14 países das Américas, com o maior número de casos registrados nos Estados Unidos, Brasil e Venezuela., by Organização Pan-Americana da Saúde, Opas

Estratégias

O pacote de fortalecimento da vigilância anunciado pelo ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, traz ações voltadas a temas como imunização, vigilância, Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Fronteira, laboratório de fronteira e capacitação de profissionais.

O conjunto de estratégias resulta da solicitação do governo brasileiro de incluir a questão da imunização nas fronteiras na agenda dos eixos prioritários estabelecidos no Memorando de Entendimento de Cooperação entre o Mercosul e a Organização Pan-Americana da Saúde, Opas.

Vacinação

De acordo com a representante da Opas no Brasil, Socorro Gross, a vacina é a intervenção com o maior custo efetivo em saúde, mas exige o compromisso de políticos, mães, pais, profissionais de saúde e todas as pessoas. Ela destaca que as pessoas vivem hoje “em mundo complexo, onde ninguém pensava que se teria mortes de crianças por sarampo na Europa, em países desenvolvidos, porque perdeu-se o norte”, perdeu-se esse valor na vacinação para a vida.

Gross disse que a Opas se une aos esforços do Mercosul e de outros países das Américas, para o resgate que se deve fazer do valor da vacinação.

Fronteiras

A estratégia anunciada pelo ministro da Saúde Pública e Bem-Estar Social do Paraguai, Julio Daniel Mazzoleni Insfrán, inclui, além da disponibilidade de vacinas nos serviços de saúde, a realização de visitas domiciliares, com brigadas de vacinação nos territórios escolhidos. Insfrán apontou que saúde e doença, solidariedade e esforço, não têm nacionalidade”

Segundo o representante da Opas no Paraguai, Roberto Escotto, nas fronteiras, além dos intercâmbios social, econômico e cultural, há o compartilhamento de fatores de risco. Ele acrescentou que, no entanto, “também há compartilhamento de fatores de proteção à saúde, como este evento.”

Apoio


A Opas tem dado amplo apoio ao governo do Brasil e dos estados brasileiros na resposta aos surtos de febre amarela que afetaram o país nos últimos anos. Entre as ações estão o envio de vacinas, treinamentos, contratação de vacinadores, controle de mosquitos transmissores da doença, criação de salas de situação para análise de dados, auxílio na compra de seringas, desenvolvimento da estratégia de vacinação com doses fracionadas e o trabalho em campo, juntamente com as autoridades nacionais e locais.

Em relação ao sarampo, a Opas está ajudando o Brasil na compra de 18,7 milhões de doses vacinas e, junto com o Ministério da Saúde, está apoiando o estado de São Paulo no fortalecimento de seu sistema de vigilância epidemiológica e laboratorial, assim como na condução de análises para determinar a população não vacinada e as necessidades de vacinas.

Américas
 

Em 2019, Bolívia, Brasil e Peru notificaram casos confirmados de febre amarela. Já o sarampo foi identificado em 14 países das Américas, com o maior número de casos registrados nos Estados Unidos, Brasil e Venezuela.

Também houve casos na Argentina, Bahamas, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Curação, México, Peru, Santa Lúcia e Uruguai.