Conflito na Síria já causou 13 milhões de deslocados

11 setembro 2019

Guerra no país completou oito anos; Comissão de Inquérito Internacional pediu proteção para as crianças que vivem no campo de Al Hol; nos últimos meses, morte de pelo menos 390 crianças podiam ter sido evitadas.

O conflito na Síria está sendo marcado por um aumento dos níveis de violência que afeta sobretudo civis, afirma a Comissão de Inquérito Internacional sobre o país em relatório publicado esta quarta-feira.

A pesquisa destaca como as hostilidades afetam a vida dos sírios e geram mais deslocamentos em massa, aumentando o número de sírios deslocados para perto de 13 milhões.

Acampamento de Al Hol, na Síria, abriga atualmente mais de 70 mil pessoas que enfrentam condições de vida precárias, Unicef/Delil Soleiman

Crianças

O presidente da comissão, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, falou à ONU News sobre a necessidade de proteger as crianças que vivem no campo de Al Hol. As crianças correm o risco de ficar sem nacionalidade e de se separar dos pais como resultado das políticas dos Estados-membros.

“Porquê é que isso acontece? Especialmente para as mães que pertencem a outros países, quer dizer os filhos, por exemplo, deveriam ser reconhecidos como cidadãos dos países aos quais os países pertencem. Há uma dificuldade muito grande de os estados repatriarem as mães e as crianças. Há alguns países que tem conseguido repatriar, mas há alguns países que se recusam a investigar a situação. Então a situação humanitária no campo é muito ruim e não se está considerando o respeito aos direitos das crianças.”

Veja aqui a entrevista completa com Paulo Pinheiro.

Cerca de 70 mil indivíduos vivem em condições deploráveis ​​e desumanas neste campo, a grande maioria mulheres e crianças com menos de 12 anos. Segundo a pesquisa, morreram pelo menos 390 crianças devido à desnutrição ou feridas não tratadas

Resposta

Reagindo ao relatório, o Escritório das Nações Unidas para Assistência Humanitária, Ocha, disse que mais de 30 parceiros enfrentam "enormes desafios" para prestar serviços no campo de Al Hol.

O porta-voz da agência, Jens Laerke, disse que "as pessoas que fugiram para o campo sofreram com o Isil durante anos e muitas chegaram com problemas de saúde." Segundo ele, o campo passou de 10 mil pessoas para mais de 70 mil meses em poucos meses.

O acampamento em Al Hol abriga atualmente mais de 73 mil, quase dois terços crianças com menos de 12 anos, Unicef/ Grove Hermansen

Apesar de as necessidades permanecerem altas, alguns serviços melhoraram. Três novos hospitais de campanha abriram nos últimos meses.

Terrorismo

Apesar de um acordo entre a Rússia e a Turquia, em setembro de 2018, para estabelecer uma zona desmilitarizada em Idlib, terroristas atacaram posições militares de forças pró-governo e lançaram foguetes indiscriminadamente, matando e mutilando dezenas de civis nas zonas rurais de Aleppo, Hama e em outros lugares.

Por outro lado, as ofensivas aéreas e terrestres de forças pró-governo aumentaram dramaticamente, destruindo infraestrutura essencial, incluindo hospitais, mercados e escolas. Perto de meio milhão de civis foram forçados a fugir.

Violações

O relatório afirma que outras violações menos visíveis dos direitos humanos persistem como resultado do conflito armado. A prestação de serviços permanece ineficaz, privando centenas de milhares de civis de acesso adequado à água, eletricidade e educação.

As desigualdades de gênero que já existiam aumentaram devido ao conflito, com mulheres e meninas enfrentando inúmeros desafios para conseguir documentos ou uma renda estável. As mulheres com deficiência continuam sem acesso a serviços especializados. Estupro e outras formas de violência sexual continuaram a ocorrer.

O relatório propõe uma série de recomendações para resolver as lacunas de proteção mais urgentes para a população civil.

O documento será apresentado em 17 de setembro, em Genebra, durante a 42ª sessão do Conselho de Direitos Humanos.

 

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