OMS vê desigualdades significativas apesar da notável expectativa de vida na Europa

11 setembro 2019

Novo relatório indica influência de áreas de residência na duração e qualidade de vida dos habitantes; lacunas em saúde entre grupos socioeconómicos aumentam com envelhecimento da população.

Mulheres na Europa podem esperar viver em média 82 anos e os homens 76,2 anos. Mas a Organização Mundial da Saúde, OMS,  alerta que continuam as "desigualdades significativas" nessa área entre os vários grupos sociais.

O  estudo Vida saudável e próspera para todos: Relatório Europeu sobre o Estado da Equidade em Saúde revela que o tempo de vida pode ser até sete anos mais baixo entre mulheres da região, e chegar aos 15 anos entre homens, se estes grupos estiverem entre os mais desfavorecidos.

Governos

O estudo publicado esta quarta-feira, em Genebra, aponta que persistem os desequilíbrios em vários dos 53 países da região europeia. Em certos casos, essa situação piorou apesar de tentativas que foram feitas pelos governos para resolvê-las.

O documento revela que quase o dobro de pessoas na parcela dos 20% da população menos rica diz ter doenças que limitam a liberdade de realizar atividades diárias, em comparação com 20% da população mais rica.

Em 45 dos 48 países analisados, as mulheres com menor escolaridade disseram ter uma saúde mais precária ou razoável quando comparadas às mulheres com maior escolaridade. Esse padrão é similar entre homens de 47  dessas nações. 

O local de residência também tem influência na duração e qualidade de vida. Em quase 75% dos países pesquisados, as diferenças em relação aos anos de vida entre as regiões mais e menos favorecidas não alteraram ou mesmo pioraram durante mais de uma década. 

Comparação

Nas áreas mais necessitadas, houve mais 4% de bebés que não sobrevivem no primeiro ano de vida em comparação com os nascidos em áreas mais ricas.

As lacunas em saúde entre grupos socioeconómicos aumentam à medida que as pessoas envelhecem. Os desafios em lares menos abastados afetam mais 6% das meninas e 5% dos meninos, em comparação com os lares mais abastados.

Essa disparidade aumenta para mais 19% em mulheres e 17% em homens na idade ativa, e atinge o pico entre as pessoas com mais de 65 anos, sendo 22% para o caso de mulheres e 21% nos homens.

O estudo destaca que os adultos com menos recursos económicos e sociais têm uma saúde mais precária, o que faz prever um maior risco de pobreza e exclusão social, a perda da independência e um desgaste mais acelerado.

Resultados 

A diretora regional da OMS para a Europa, Zsuzsanna Jakab, destacou que o estudo foi lançado pela primeira vez e fornece aos governos os dados e as ferramentas necessários para combater as desigualdades na saúde.

Outro benefício da pesquisa é a possibilidade de se gerar resultados visíveis em período relativamente curto, mesmo durante um mandato de quatro anos de um governo.

O documento destaca políticas para estimular o desenvolvimento sustentável e o crescimento económico.

O trabalho defende uma proposta de redução das desigualdades em 50% que “produziria benefícios financeiros para países que variam de 0,3% a 4,3% do Produto Interno Bruto”.

UNICEF
OMS aponta alerta "desigualdades significativas" na saúde entre os vários grupos sociais.

 

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