ONU: conflito sírio provocou mais de 1.000 mortos em quatro meses

4 setembro 2019

Chefe de Direitos Humanos considera que números são assustadores, vergonhosos e profundamente trágicos; Michelle Bachelet quer que envolvidos no conflito e Estados influentes “muito poderosos” deixem de lado suas diferenças políticas.

A alta comissária dos Direitos Humanos, Michelle Bachelet, revelou esta quarta-feira que seu escritório registrou mais de 1.000 mortes de civis no norte da Síria nos últimos quatro meses.

Segundo a representante, grande parte dessas vítimas resultou de ataques aéreos e de artilharia realizados pelas forças do governo sírio e seus aliados.

Espaço Seguro

No cargo há um ano, a chefe de direitos humanos disse que a crise síria é uma das piores vistas nos últimos oito anos, após ter começado com o fracasso total do governo em permitir um espaço seguro para o diálogo.

Bachelet explicou aos jornalistas em Genebra que 1.089 civis foram mortos na Síria por causa da guerra nas províncias de Idlib e Hama, entre 29 de abril e 29 de agosto. O número inclui 304 crianças.

A representante destacou ainda que 58 mortes foram causadas por “atores não estatais” na província de Idlib, que faz fronteira com a Turquia e está sob controlo dos rebeldes. O final de abril marca o início de uma ofensiva na região onde foram destruídas 51 instalações e recursos médicos incluindo hospitais, ambulâncias e clínicas por causa dos ataques.

Preocupação

Bachelet disse que não precisa enfatizar que esses números são assustadores, vergonhosos e profundamente trágicos.

Ela disse que parece haver pouca preocupação em tirar vidas de civis na tentativa de controlar territórios. A chefe de Direitos Humanos alertou que qualquer outra escalada resultará apenas em mais perda de vidas e no deslocamento de civis, que de forma repetida já foram forçados a fugir em condições humanitárias terríveis.

Bachelet lançou um apelo a todas as partes envolvidas no conflito e aos que chamou Estados “muito poderosos” com influência para que “deixem de lado as diferenças políticas e parem com a carnificina”.

A chefe de Direitos Humanos mencionou ainda a Síria e o Iêmen ao apontar para uma “necessidade desesperada de diálogo” em regiões como Hong Kong, Rússia, Papua, Indonésia, Caxemira, administrada pela Índia, Honduras e Zimbábue.

Para ela, muitas das queixas levantadas remontam a desigualdades e desequilíbrios de poder.

Repercussões

Em suas declarações, Bachelet destacou ainda que o mundo nunca esteve tão interconectado. Para ela, o impacto das violações dos direitos humanos em uma parte do mundo pode ter sérias repercussões regionais e internacionais em outra.

Um dos exemplos desses efeitos é o “grande número de pessoas fugindo de seus países devido a conflitos armados, insegurança, opressão política, crises climáticas e falha na proteção dos direitos econômicos, sociais e culturais”.

 

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