Com processo de paz paralisado no Oriente Médio, aumenta violência e risco de escalada

27 agosto 2019

Coordenador especial da ONU para o Oriente Médio falou ao Conselho de Segurança esta terça-feira; para Nickolay Mladenov, que “mistura explosiva” só pode ser resolvida por lideranças dispostas a regressar à mesa das negociações.

O coordenador especial da ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, afirmou esta terça-feira que "é necessário ação urgente" para relançar o processo de paz e pediu a liderança de ambos os lados para “confrontarem radicais e extremistas.”

Em sua comunicação mensal ao Conselho de Segurança, Mladenov destacou também a violência na região, as demolições de assentamentos e a crise de saúde em Gaza.

Liderança

Crianças em Gaza, onde a Unrwa assiste cerca de 1 milhão de refugiados palestinos, Banco Mundial/Natalia Cieslik

O representante afirmou que “a falta de um horizonte político para resolver o conflito entre Israel e Palestina, os movimentos unilaterais e uma infinidade de outros fatores criam uma mistura explosiva.”

Segundo ele, essa “mistura explosiva só pode ser resolvida por lideranças dispostas a regressar à mesa para negociações significativas em direção a uma paz sustentável e justa.”

Mladenov disse que esses líderes precisam ser capazes de “enfrentar extremistas e radicais.” Além disso, ele afirmou que precisam defender a posição da comunidade internacional e “que a paz duradoura só pode ser baseada na ideia de que israelenses e palestinos vivem lado a lado a lado em paz, segurança e reconhecimento mútuo.”

Solução

Segundo o coordenador, isso pode ser alcançado com base em resoluções da ONU e outros acordos. Ele diz que se “se houver um afastamento dessa estrutura, acontecerá uma inevitável radicalização.”

O enviado afirma que “não se pode desistir do objetivo de uma solução pacífica para este conflito” porque “a alternativa é horrível demais para ser entendida.”

Destacando vários incidentes na região, Mladenov condenou “inequivocamente todos os ataques a civis palestinos e israelenses.” Segundo ele, essas ações “são atos covardes e perigosos” e “servem apenas aqueles que desejam uma escalada.”

Veículo das Forças de Segurança de Israel ilumina cerca de segurança, Unrwa Archives/Alaa Ghosheh

Afirmando que “a violência e o terrorismo devem ser condenados por todos”, o coordenador disse que “sua glorificação pelo Hamas, pela Jihad Islâmica e por outras facções palestinas é deplorável.”

Assentamentos e saúde

Além da violência, Mladenov também destacou a expansão dos assentamentos, as demolições e as apreensões de propriedades palestinas.

Citando a falta de licenças de construção emitidas por Israel, as autoridades israelenses demoliram ou apreenderam 22 estruturas na Área C, incluindo 14 estruturas de ajuda financiadas por doadores e 11 estruturas em Jerusalém Oriental.

Mladenov reiterou a declaração do coordenador humanitário das Nações Unidas de que “a política de Israel de destruir a propriedade palestina não é compatível com suas obrigações nos termos do Direito Internacional Humanitário.”

Segundo ele, “a expansão dos assentamentos não tem efeito legal e constitui uma violação flagrante do direito internacional.”

Gaza

O coordenador disse que, apesar da relativa calma nos últimos dois meses, a situação em Gaza permanece “muito frágil” e “os incidentes violentos continuam.”

OO enviado afirmou que “Israel deve calibrar seu uso da força e usar a força letal apenas como último recurso.” Quanto ao Hamas, “deve impedir o lançamento indiscriminado de foguetes e morteiros contra Israel” e “garantir que os permaneçam pacíficos e evitem provocações.”

Por fim, Mladenov destacou a deterioração da situação no setor da saúde em Gaza, particularmente a falta de recursos, incluindo suprimentos médicos.

ONU
Cerca que divide Israel de Gaza.

 

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