Secretário-geral alerta para “dramática emergência climática” em encontro do G7
BR

26 agosto 2019

António Guterres está em Biarritz, na França, para participar na reunião anual das sete maiores economias mundiais; para o chefe da ONU, é preciso “mais ambição e um compromisso mais forte.”

O secretário-geral da ONU disse esta segunda-feira que o mundo está “enfrentando uma dramática emergência climática”.

António Guterres está em Biarritz, na França, para participar na reunião anual do G7, que começou no sábado e termina esta segunda-feira. 

Secretário-geral da ONU, António Guterres António Guterres disse que participa do encontro para mobilizar apoio para a Cúpula/Cimeira do Clima, que acontece em Nova Iorque em setembro., by Foto ONU/ Manuel Elias

Recordes

Falando a jornalistas, o chefe da ONU lembrou que “o mês passado foi o mês mais quente já registrado” e que o mundo está “a caminho dos anos entre 2015 e 2019 serem os cinco anos mais quentes já registrados.”

Ao mesmo tempo, o nível de dióxido de carbono, CO2, na atmosfera é o mais alto desde que existe vida humana e é necessário recuar três ou cinco milhões de anos para obter concentrações semelhantes. Nesse período, as temperaturas eram mais altas e o nível dos mares era 10 a 20 metros superior.

Guterres também disse que a segunda maior calota de gelo, na Groenlândia, “está derretendo dramaticamente” e que, apenas durante o mês de julho, cerca de 179 bilhões de toneladas de gelo derreteram.

O secretário-geral destacou ainda incêndios na Sibéria, no Alasca, no Canadá, na Groenlândia e no Círculo Polar Ártico e disse que o mundo “agora vê o que está acontecendo na Amazônia.”

Encontro

António Guterres disse que participa do encontro para mobilizar apoio para a Cúpula/Cimeira do Clima, que acontece em Nova Iorque em setembro.

Segundo ele, a situação é agora “muito pior” do que era quando foi assinado o Acordo de Paris. De acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, é “absolutamente necessário” manter o aumento da temperatura em 1,5 graus celsius até o final do século, atingir a neutralidade em carbono em 2050 e ter 45% redução de emissões até 2030.

Compromisso

O chefe da ONU afirmou que “é absolutamente essencial que os países se comprometam a aumentar o que foi prometido em Paris, porque o que foi prometido não é suficiente e nem sequer está sendo implementado.”

Segundo Guterres, é preciso “mais ambição e um compromisso mais forte.”

O secretário-geral quer que os países assumam o compromisso de ser neutros em carbono em 2050. Também diz ser necessário transferir os impostos das pessoas para o carbono, eliminar subsídios aos combustíveis fósseis e parar com a construção de centrais elétricas a carvão em 2020.

Segundo ele, “tudo isso requer muita vontade política” e “o G7 foi uma excelente oportunidade de apelar para o forte envolvimento da comunidade internacional.”

Ele terminou dizendo que “os jovens têm liderado o caminho, mas é “preciso que os países, especialmente os que pertencem ao G7, deem um exemplo positivo.”

Foto ONU/ Mark Garten
Aquecimento do Ártico está a impulsionar muitas das mudanças em curso na região, incluindo a perda de gelo marinho e alterações nos ecossistemas terrestres e marinhos.

Viagem

Na terça, o secretário-geral viaja para Yokohama, no Japão, para participar da 7ª Conferência Internacional de Tóquio para o Desenvolvimento Africano, Ticad.

No sábado, 31 de agosto, chegará à República Democrática do Congo para uma visita de três dias para fazer um balanço e mobilizar apoio adicional à resposta ao surto de ebola.

Na província de Kivu do Norte, ele se encontrará com sobreviventes e profissionais de saúde e também avaliará a implementação, pela missão de manutenção da paz da ONU, Monusco, do seu mandato.

O secretário-geral irá se encontrar ainda com o presidente do país outros altos funcionários do governo, membros da oposição e representantes de organizações da sociedade civil.

 

 

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