Secretário-geral alerta para “dramática emergência climática” em encontro do G7 BR

Líderes das sete maiores economias mundiais em Biarritz, na França, durante a reunião de 2019 do G7.
Casa Branca/Andrea Hanks
Líderes das sete maiores economias mundiais em Biarritz, na França, durante a reunião de 2019 do G7.

Secretário-geral alerta para “dramática emergência climática” em encontro do G7

Clima e Meio Ambiente

António Guterres está em Biarritz, na França, para participar na reunião anual das sete maiores economias mundiais; para o chefe da ONU, é preciso “mais ambição e um compromisso mais forte.”

O secretário-geral da ONU disse esta segunda-feira que o mundo está “enfrentando uma dramática emergência climática”.

António Guterres está em Biarritz, na França, para participar na reunião anual do G7, que começou no sábado e termina esta segunda-feira. 

Secretário-geral da ONU, António Guterres pediu que os envolvidos continuem se engajando em um diálogo significativo
Secretário-geral da ONU, António Guterres António Guterres disse que participa do encontro para mobilizar apoio para a Cúpula/Cimeira do Clima, que acontece em Nova Iorque em setembro., by Foto ONU/ Manuel Elias

Recordes

Falando a jornalistas, o chefe da ONU lembrou que “o mês passado foi o mês mais quente já registrado” e que o mundo está “a caminho dos anos entre 2015 e 2019 serem os cinco anos mais quentes já registrados.”

Ao mesmo tempo, o nível de dióxido de carbono, CO2, na atmosfera é o mais alto desde que existe vida humana e é necessário recuar três ou cinco milhões de anos para obter concentrações semelhantes. Nesse período, as temperaturas eram mais altas e o nível dos mares era 10 a 20 metros superior.

Guterres também disse que a segunda maior calota de gelo, na Groenlândia, “está derretendo dramaticamente” e que, apenas durante o mês de julho, cerca de 179 bilhões de toneladas de gelo derreteram.

O secretário-geral destacou ainda incêndios na Sibéria, no Alasca, no Canadá, na Groenlândia e no Círculo Polar Ártico e disse que o mundo “agora vê o que está acontecendo na Amazônia.”

Encontro

António Guterres disse que participa do encontro para mobilizar apoio para a Cúpula/Cimeira do Clima, que acontece em Nova Iorque em setembro.

Segundo ele, a situação é agora “muito pior” do que era quando foi assinado o Acordo de Paris. De acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, é “absolutamente necessário” manter o aumento da temperatura em 1,5 graus celsius até o final do século, atingir a neutralidade em carbono em 2050 e ter 45% redução de emissões até 2030.

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Compromisso

O chefe da ONU afirmou que “é absolutamente essencial que os países se comprometam a aumentar o que foi prometido em Paris, porque o que foi prometido não é suficiente e nem sequer está sendo implementado.”

Segundo Guterres, é preciso “mais ambição e um compromisso mais forte.”

O secretário-geral quer que os países assumam o compromisso de ser neutros em carbono em 2050. Também diz ser necessário transferir os impostos das pessoas para o carbono, eliminar subsídios aos combustíveis fósseis e parar com a construção de centrais elétricas a carvão em 2020.

Segundo ele, “tudo isso requer muita vontade política” e “o G7 foi uma excelente oportunidade de apelar para o forte envolvimento da comunidade internacional.”

Ele terminou dizendo que “os jovens têm liderado o caminho, mas é “preciso que os países, especialmente os que pertencem ao G7, deem um exemplo positivo.”

Aquecimento do Ártico está a impulsionar muitas das mudanças em curso na região, incluindo a perda de gelo marinho e alterações nos ecossistemas terrestres e marinhos.
Foto: ONU/Mark Garten
Aquecimento do Ártico está a impulsionar muitas das mudanças em curso na região, incluindo a perda de gelo marinho e alterações nos ecossistemas terrestres e marinhos.

Viagem

Na terça, o secretário-geral viaja para Yokohama, no Japão, para participar da 7ª Conferência Internacional de Tóquio para o Desenvolvimento Africano, Ticad.

No sábado, 31 de agosto, chegará à República Democrática do Congo para uma visita de três dias para fazer um balanço e mobilizar apoio adicional à resposta ao surto de ebola.

Na província de Kivu do Norte, ele se encontrará com sobreviventes e profissionais de saúde e também avaliará a implementação, pela missão de manutenção da paz da ONU, Monusco, do seu mandato.

O secretário-geral irá se encontrar ainda com o presidente do país outros altos funcionários do governo, membros da oposição e representantes de organizações da sociedade civil.