Número de mortes de migrantes nas Américas ultrapassa 500 em 2019
BR

16 agosto 2019

OIM aponta que marca é atingida pela primeira vez em seis anos; crise na Venezuela é um dos fatores que levou ao aumento de fatalidades; principais causas incluem afogamento no mar, acidentes rodoviários e ferroviários.

Pelo menos 514 pessoas morreram nas rotas migratórias do continente americano em 2019, anunciou a Organização Internacional para as Migrações, OIM.

De acordo com os dados apresentados esta sexta-feira, em Genebra,  a quantidade de fatalidades ocorridas até o momento é 30% superior em relação às 384 mortes registradas no mesmo período do ano passado.

Grupo de crianças que seguia em caravana de migrantes, na Cidade do México. Foto: Unic México/Antonio Nieto

Estados Unidos e México

A OIM revelou que 247 pessoas perderam a vida na fronteira entre os Estados Unidos e o México, o que corresponde a quase metade do total. Na América Central morreram 80 migrantes, nas áreas ao redor das ilhas do Caribe foram 155 e na América do Sul ocorreram 30 óbitos.

A agência das Nações Unidas destaca ainda que esta é a primeira vez nos últimos seis anos em que o número de mortes ultrapassa 500 nesta época do ano.

Segundo o porta-voz da OIM, Joel Millman, a soma de 67 mulheres e 40 crianças totaliza um quinto das mortes registradas. A idade e o gênero dos mortos recuperados em 137 lugares ainda não foram determinados.

A crise na Venezuela é um dos fatores apontados para o aumento das fatalidades neste ano. A OIM registrou 89 mortes confirmadas de cidadãos venezuelanos nas regiões da América Central, da América do Sul e dos Estados Unidos e do Caribe.

© Unicef/Arcos
Da Venezuela, uma mãe de 21 anos viaja sozinha com seu filho de três meses.

Classificação

O porta-voz destacou que os venezuelanos são o segundo grupo com mais vítimas fatais, somente ficando atrás da classificação de “não identificado”, com 178 pessoas.

As vítimas foram encontradas no deserto ou no mar muito tempo depois de morrer.  Millman disse que a identidade ou nacionalidade deles provavelmente nunca poderá ser confirmada.

O representante indicou ainda que foram identificadas as nacionalidades de corpos de cidadãos saídos de países como Colômbia, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, México, Nicarágua e Ucrânia.

A principal causa de morte foi o afogamento no mar, seguida pelos acidentes rodoviários e em rotas de trem, ou ainda por desidratação ou exposição ao clima, crimes, doenças ou falta de cuidados médicos.

Unicef/UN0247721/Arcos
Dalila Leon, de três anos, com seu pai na fronteira entre Equador e Colômbia

Texas

A OIM disse que o total de vítimas não inclui pelo menos 11 pessoas que perderam a vida sob custódia em centros de detenção nos Estados Unidos ou no México. Outras mais de 50 mortes não foram confirmadas no México e no Panamá.

Cadáveres de 15 pessoas foram recuperados no estado norte-americano do Texas nos últimos 10 dias. Outras três pessoas se afogaram tentando atravessar o Rio Grande. Na Califórnia também foram encontrados cinco mortos.

Travessia

Millman declarou que as ações de governos para proteger fronteiras levaram os migrantes a recorrerem a organizações criminosas. Ele respondia a uma questão sobre o impacto das políticas de imigração do EUA e o perigo da travessia de migrantes.

Em relação aos sequestros de cidadãos de países de baixa renda para tentar se encontrar com suas famílias em países desenvolvidos, o porta-voz disse que essas pessoas se tornaram um alvo de muitos criminosos. Os malfeitores cobram resgate, em um fenômeno que torna mais arriscado o ambiente dos migrantes em todos os lugares.

 

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