Padrões climáticos erráticos afetam mais de 2 milhões de pessoas em Corredor Seco da América Central
BR

11 agosto 2019

Cinco anos de seca na região estão deixando agricultores com dificuldades para alimentar suas famílias; por falta de opção, muitos estão optando pela migração; PMA planeja fornecer assistência alimentar a mais de 700 mil pessoas que vivem na área.

Mais de 2 milhões de pessoas no chamado corredor seco, que engloba áreas da Guatemala, de Honduras, de El Salvador e da Nicarágua foram afetadas pelo quinto ano consecutivo de padrões climáticos erráticos, secas prolongadas e chuvas excessivas.

Destas,  1,4 milhão precisam de assistência alimentar urgente de acordo com a última Avaliação de Segurança Alimentar de Emergência, ou EFSA, que foi realizada pela Programa Mundial de Alimentos, PMA, a Organização das Nações Unidas Agricultura e Alimentação, FAO, e instituições governamentais.

Na Guatemala agricultores lutam contra os impactos da seca.
Na Guatemala agricultores lutam contra os impactos da seca. , by PMA/Francisco Fion

Corredor Seco

O Corredor Seco da América Central é uma área geográfica composta por um ecossistema de floresta tropical seca que vai do sul do México até o Panamá. A região é vulnerável ao fenômeno El Niño e padrões climáticos erráticos, que atrasam as chuvas e prolongam o período de seca.

Falando à jornalistas em Genebra, o porta-voz do PMA disse que plantações de milho e feijão da região foram dizimadas. Herve Verhoosel destacou que “isso afetou a segurança alimentar dos agricultores de subsistência, o que significa que muitos estão lutando diariamente para alimentar suas famílias.”

PMA

Dada a situação atual, a agência da ONU planeja fornecer assistência alimentar a mais de 700 mil pessoas que vivem no Corredor Seco. Somente este ano, o PMA ajudou mais de 160 mil pessoas vulneráveis.

O trabalho da agência tem se concentrado nas necessidades imediatas das pessoas, além de ajudá-las a se adaptarem às mudanças climáticas.

Ciclos de produção

De acordo com o PMA, famílias no Corredor Seco produzem e comem seus próprios alimentos, e por isso dependem muito dos dois ciclos de safras sazonais a cada ano. O plantio do primeiro ciclo ocorre entre abril e junho, e deve ser colhido em agosto, sendo suficiente para cobrir as necessidades alimentares até dezembro.

O segundo ciclo é plantado entre setembro e novembro e colhido em janeiro do ano seguinte, cobrindo as necessidades de alimentos de fevereiro a junho. Isso deixa um período de escassez de alimentos entre safras, que vai de junho a agosto de cada ano.

Desastres naturais destruíram mais de 200 mil hectares de safras essenciais nos quatro países
Governos da América Central estimam que 2,2 milhões de pessoas de El Salvador, da Guatemala, de Honduras e da Nicarágua tenham sofrido perdas das lavouras., by Foto: FAO

Vulnerabilidade

Verhoosel apontou que “os agricultores de subsistência e suas famílias no Corredor Seco são altamente vulneráveis ​​à insegurança alimentar.” Ele explicou que “se as safras fracassarem, elas não terão alimentos para comer e nem reservas de comida até o próximo ciclo da safra.”

O milho e o feijão, que são as principais culturas da região, são muito frágeis e cultivados em encostas com solo pobre. Segundo o porta-voz, “eles são suscetíveis a condições climáticas adversas, o que significa que muito pouca ou muita chuva pode arruinar uma colheita inteira.”

Migração

Quando perdem suas colheitas, os agricultores tentam encontrar empregos em plantações locais e muitas vezes não têm renda para comprar comida. Outros agricultores migram para cidades, países vizinhos ou para mais longe.

Dados da EFSA, indicam que 8% das famílias indicaram que iriam recorrer à migração, que a avaliação classifica como uma estratégia de sobrevivência extrema.

Verhoosel destacou que “migração, no entanto, não é uma solução.” Ele apontou que “quando uma pessoa migra, aqueles que ficam para trás continuam a sofrer a causa da migração.”

Solução

O PMA acredita que “a solução é trabalhar em conjunto em sistemas de segurança alimentar de longo prazo que permitam que esses agricultores sejam resilientes e permaneçam engajados em seus mercados locais.”

A agência precisa de US $ 72 milhões para ajudar essas pessoas na distribuição de alimentos a curto prazo e com capacidade de fortalecer as intervenções a médio e longo prazo para ajudá-las a construir resiliência, adaptar-se às mudanças climáticas e melhorar os sistemas nacionais de proteção social.

 

 

 

 

 

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