ONU elogia acordo que traz “esperança para uma paz duradoura” em Moçambique

7 agosto 2019

Chefe de Estado Filipe Nyusi assinou o Acordo de Paz e Reconciliação em Maputo com líder do partido Renamo, Ossufo Momade; presidente da Assembleia Geral revela expectativa por desenvolvimento do país; enviado do secretário-geral declara que entendimento será bem-sucedido. *

As Nações Unidas saudaram a assinatura do Acordo de Paz e Reconciliação de Maputo, pelo chefe de Estado de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, e pelo líder do partido Renamo, Ossufo Momade.

Em nota, a presidente da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa, destacou a liderança dos representantes das duas partes para se alcançar o novo entendimento que “traz esperança para a paz duradoura e o desenvolvimento para Moçambique e o seu povo”.

Cerimônia do acordo de paz aconteceu em Maputo com a presença de cidadãos da capital moçambicana, líderes nacionais, internacionais, convidados. Foto: ONU Moçambique/Helvisney Cardoso

Harmonia e Prosperidade

Esta quarta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas saudou a assinatura do entendimento, e elogiou os dois signatários pela busca do diálogo direto e pelo compromisso de finalizar o processo de paz.

António Guterres pediu a todas as partes interessadas no país que contribuam para uma paz duradoura, reconciliação e estabilidade.

Na cerimónia, a ONU News falou cidadãos da capital moçambicana que estiveram presentes no evento juntamente com líderes nacionais, internacionais, convidados.

Há cinco dias, as duas partes assinaram a formalização do acordo de cessação definitiva das hostilidades no país.

Harmonia

Entre os representantes no evento desta terça-feira estavam o enviado pessoal designado do secretário-geral da ONU para Moçambique, Mirko Manzoni, e a coordenadora residente da organização no país, Myrta Kaulard.

A coordenadora destaca que a assinatura do acordo representa o início de uma nova era em que todos os moçambicanos podem viver em harmonia e prosperidade.

Em nome da organização, a nota assinada por Myrta Kaulard  destaca que as Nações Unidas estão prontas para acompanhar o país na implementação do acordo, na construção de paz duradoura, na reconciliação e no desenvolvimento sustentável.

 

Após ter participado no processo como chefe do Grupo  Internacional de Contacto e embaixador da Suíça em Moçambique, Mirko Manzoni disse que o novo acordo “irá trazer uma paz duradoura ao povo moçambicano”. Em sua opinião, numa região e num mundo que já viram muita destruição, esta celebração seria como uma semente para espalhar a esperança em toda a parte.

Confrontos 

O enviado  designado destacou que esse entendimento “será bem-sucedido, porque foi um acordo feito por moçambicanos para moçambicanos”. Manzoni, que foi nomeado em julho, já participava no diálogo entre as partes, apoiou o processo até a assinatura do acordo e acompanhará a sua implementação.

Para Manzoni, a comunidade internacional deve estar completamente comprometida durante o período de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração de forças que antes estavam envolvidas em confrontos.

O representante pediu ainda que seja “honrado o compromisso de apoiar Moçambique a longo prazo”. Em nome da comunidade internacional, ele próprio reiterou esse compromisso.

O atual presidente da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral, Sadc, e chefe de Estado da Namíbia, Hage Geingob, felicitou as duas partes por promoverem a paz, a estabilidade e o desenvolvimento em Moçambique.

Coesão Nacional

Para o chefe de Estado namibiano, o acordo de paz assinado vai ao encontro das celebrações do 50º aniversário da União Africana, de uma “África mais próspera e integrada, a África que queremos”.

Na ocasião, o presidente do Ruanda, Paul Kagame, disse que para o povo de Moçambique este entendimento traz “a promessa de acabar com décadas de conflito, a incerteza e a renovação da união e coesão nacional”.

Kagame afirmou que “nunca é um desperdício de tempo dar uma chance à paz, mais uma vez”, e que “essa conquista é algo importante para todos em África”. Para o líder ruandês, isso mostra que é possível que o continente encontre soluções para os próprios problemas, “não importando o quão difícil eles sejam”.

ONU Moçambique
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Inspiração

O presidente da Zâmbia, Edgar Lungu, considerou a assinatura do Acordo de Paz e Reconciliação “um momento histórico, uma inspiração para os membros da Sadc e uma inspiração para ter uma região mais pacífica e estável”.

Já o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, lembrou a estratégia de meio século adotada para o desenvolvimento africano, a Agenda 2063, cujo compromisso é silenciar as armas até 2020.

Em relação ao entendimento entre o governo moçambicano e a Renamo, o representante considerou “um tijolo concreto de aprendizagem para alcançar este objetivo visionário e inspirador”.

Mudança

A União Europeia colocou € 60 milhões ao dispor de Moçambique para a implementação do acordo assinado esta terça-feira. Na ocasião, a alta representante da União Europeia, Federica Mogherini destacou que a paz é um compromisso “que tem que se transformar numa mudança na vida de todos os moçambicanos”.

Mogherini anunciou que o bloco europeu ainda “pretende financiar projetos com comunidades locais, para que cada cidadão tenha algo a se beneficiar com a paz”, uma ação que contribuirá para que haja uma paz duradoura.

A representante destacou que Moçambique tem a responsabilidade de fazer o trabalho pela paz, mas também para que os cidadãos se beneficiem desse percurso, que pode contar com a organização em todas as etapas.

*Com apoio de Helvisney Cardoso, ONU Moçambique.

 

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