Para FAO, segurança alimentar na África precisa de mais resiliência para lidar com mudança climática
BR

6 agosto 2019

Mais de 250 pessoas participaram de Diálogo de Alto Nível de Liderança sobre Segurança Alimentar da África realizado em Kigali; fome aumenta em quase todas as sub-regiões africanas, de acordo com dados mais recentes da agência da ONU.

A resiliência deve ser impulsionada na África em resposta à mudança climática. É o que defendem os participantes do Diálogo de Alto Nível de Liderança sobre Segurança Alimentar da África, realizado pelo Governo de Ruanda, em Kigali.

A diretora-geral adjunta da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, Maria Helena Semedo, destacou que "os agricultores sempre foram inovadores.” Para ela, o que eles precisam “são políticas que os protejam e aumentem sua resiliência à mudança climática.”

dados indicam que a África é a região com a maior prevalência de desnutrição, com um nível que chega a quase 20%. , by Foto: Ocha/Meridith Kohut

Vulnerabilidade

De acordo com a FAO, os setores de alimentos e agricultura da África estão entre os mais vulneráveis ​​aos impactos negativos das mudanças climáticas. Os pequenos agricultores, pequenos empresários e suas famílias, cuja subsistência depende da agricultura irrigada pela chuva, são mais ameaçados pelo problema.

A construção de resiliência está entre as principais prioridades de desenvolvimento da FAO na África.

Para a agência, a resiliência contra múltiplas ameaças, incluindo as mudanças climáticas, é um pré-requisito fundamental para o desenvolvimento sustentável, em particular diante do desafio de alimentar mais de 2 bilhões de africanos até 2050.

Fome

De acordo com os dados mais recentes da FAO, a fome está aumentando em quase todas as sub-regiões africanas, tornando a África a região com a maior prevalência de desnutrição, com um nível que chega a quase 20%.

Essa situação é impulsionada principalmente por conflitos e pelas mudanças climáticas e é especialmente crítica na África Oriental. Cerca de 30,8 % de habitantes dessa sub-região, ou 133 milhões de pessoas, têm dificuldades para ter o suficiente para comer.

Na conferência foi constatado que é possível se adaptar a esses riscos com ações imediatas e ousadas voltadas para a resiliência. Na segunda-feira, foi endossado um compromisso para apoiar melhor os países africanos para que assim, se acelere o progresso em direção à melhoria da segurança alimentar.

Evento

Até esta terça-feira, o evento reuniu cerca de 250 pessoas com a parceria da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, da Comissão da União Africana, do Banco Africano de Desenvolvimento, do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola e do Banco Mundial.

O objetivo do encontro foi facilitar o engajamento entre os governos e os principais parceiros de desenvolvimento para estimular uma ação unificada para a agricultura e os sistemas alimentares da África em resposta às mudanças climáticas.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

FAO prevê insegurança alimentar para 9,7 milhões de pessoas no Sahel

Cerca de 2 milhões de crianças correm risco de sofrer de desnutrição aguda na região africana; FAO quer maior atenção para áreas como Lago Chade, Níger, Burquina Fasso e Mali.

Em despedida, Graziano diz que “todo o tempo acreditou que podemos erradicar a fome no mundo"

Brasileiro deixa a direção da FAO no final de julho; chefe da agência da ONU descreve “momento muito difícil” no sistema das Nações Unidas e faz apelo para acabar com o que chama de “ataque às organizações multilaterais”.