Novos ataques geram preocupação com civis “presos na carnificina” no nordeste da Síria
BR

6 agosto 2019

Regiões mais afetadas incluem Hama, Idlib e Aleppo; Ocha destaca situação de pessoas isoladas em Idlib e arredores; cerca de 1 milhão de vítimas são crianças.

Imagens do conflito na Síria, um dos países com maior número de refugiados e deslocados internos. Foto: Acnur/Christopher Reardon

O Escritório de Assuntos Humanitários, Ocha, chama atenção para um novo aumento de ataques aéreos em áreas do noroeste da Síria. Os atos ocorrem nas províncias de Hama, Idlib e Aleppo.

Na semana passada já haviam ocorrido três dias de intensos confrontos, que foram interrompidos por um cessar-fogo condicional que começou na última sexta-feira. Mas os ataques teriam sido retomados. 

Em nota emitida esta terça-feira, em Genebra, o escritório revela profunda preocupação pela situação de civis que “estão presos na carnificina em Idlib e arredores”.

Bombardeios

Após a entrada em vigor do cessar-fogo, o Ocha destaca que nenhum ataque aéreo teria sido reportado no noroeste da Síria no fim de semana, apesar de alguns bombardeios no norte de Hama e no sul de Idlib. Alguns civis começaram a voltar para suas casas.

O Ocha alerta que 1 milhão das pessoas das áreas afetadas são crianças. Antes da trégua, as crianças contaram que elas e suas escolas estavam sendo bombardeadas, tinham medo e só queriam que os bombardeios parassem.

© Unicef/UN0318979/Ashawi
Famílias passam a noite em acampamento improvisado na vila de Atmah, perto da fronteira turca, após ataques no norte de Hama, no sul de Idlib, na Síria.

Cessar-fogo  

Estes relatos de menores foram dados ao coordenador de Assistência de Emergência, Mark Lowcock, e transmitidos em sessão do Conselho de Segurança que aconteceu há uma semana, antes do início do cessar-fogo condicional.

Na ocasião, o também subsecretário-geral de Assuntos Humanitários contou que foram  identificados pelo menos 450 civis mortos desde o final de abril. Os dados do Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos revelaram que desse número, cerca de 100 civis perderam a vida somente nas últimas duas semanas.

Centenas de pessoas ficaram feridas e mais de 440 mil foram deslocados pelos bombardeios dos terroristas do Hayat Tahrir al-Sham e grupos armados não estatais a eles associados.

O Ocha destaca que crianças tiveram três dias com menos combates, mas que “se suas vozes de desespero tiverem algum valor ou peso, então mais bombardeios, mais ataques aéreos e mais violência são a resposta errada para o pedido de paz”.

A nota reitera ainda que todas as partes envolvidas no conflito e aquelas que têm influência  devem cumprir suas obrigações sob o Direito Internacional Humanitário para proteger civis e a infraestrutura  em todos os momentos.

 

 

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