RD Congo: Ebola mata segundo paciente confirmado em cidade com mais de 2 milhões de pessoas
BR

31 julho 2019

Caso foi anunciado duas semanas após a chegada da vítima a Goma;  trabalhador em área de mineração esteve na província de Ituri, no nordeste; funcionários humanitários mobilizam resposta de forma mais intensa para impedir propagação.

Morreu esta quarta-feira o segundo paciente de ebola que foi confirmado na cidade de Goma, na República Democrática do Congo.

Um comunicado do coordenador de Resposta a Emergências para o Ebola, David Gressly, e do diretor-geral para Resposta de Emergência da Organização Mundial da Saúde, OMS, Ibrahima Socé Fal, revela que as partes envolvidas na resposta trabalham de forma intensa. Elas mobilizam “todos os aspectos para impedir qualquer propagação”, na cidade onde vivem mais de 2 milhões de pessoas.

Unidade de Tratamento de ebola em Komanda, província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo. Foto: OMS/Lindsay Mackenzie

Surto

O primeiro caso confirmado em Goma foi relatado no início de julho e aparentemente não teve ligação com o mais recente, destaca o comunicado. O atual surto é conhecido como o segundo mais mortal da história e já registrou 2.593 contaminações e 1.709 óbitos desde agosto de 2018.

O paciente mais recente chegou em 13 de julho de uma área de mineração em Butembro na província de Ituri, nordeste da RD Congo.

As autoridades congolesas revelaram que ele começou a apresentar sintomas no dia 22 de julho, e acabou por perder a vida isolado em um centro de tratamento para a doença.

Os sintomas do ebola podem começar a ocorrer entre dois e 21 dias após a infecção.

Emergência

Goma está na fronteira entre a RD Congo com Ruanda e as autoridades de saúde receavam o surgimento de casos na área. Com o aparecimento do primeiro paciente, a OMS declarou o surto uma emergência de atenção internacional.

Nos locais de risco está sendo usada uma vacina experimental considerada eficaz contra o ebola.  Mas as ações para conter o surto são marcadas por desafios sem precedentes que incluem ataques de grupos rebeldes e resistência da comunidade das áreas congolesa que nunca havia experimentado um surto de ebola antes.

Entre as medidas aplicadas pela OMS e parceiros estão a intensificação da vigilância em todos os pontos de entrada, o controle na área afetada e o envolvimento da comunidade, a comunicação de risco e a busca ativa de casos.

O comunicado destaca ainda que o novo caso em Goma confirmou que, embora tenha havido muito progresso no combate à disseminação do ebola, é preciso fazer mais.

© UNICEF/Vincent Tremeau
Um cuidador no Centro de Tratamento Ebola de Butembo, beija um bebê de sete meses que perdeu a mãe devido ao ebola poucos dias antes.

Sistema

As Nações Unidas pedem mais esforços para acabar com o surto até que haja zero casos e que seja “construído um sistema de saúde forte e flexível para evitar o ressurgimento da doença na República Democrática do Congo”.

As partes envolvidas na resposta elogiam as autoridades congolesas pela sua resposta e reiteram o compromisso em apoiar os seus esforços para pôr fim ao surto.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

OMS elogia medidas no Ruanda que evitam chegada do vírus ebola

Banco Mundial anunciou até US$ 300 milhões para ampliar combate à emergência de saúde pública de preocupação internacional; desde início do surto, 2.612 pessoas já foram contaminadas e 1.756 morreram.

Ebola na RD Congo é emergência em saúde pública de preocupação internacional

Diretor-geral da OMS pede ação conjunta para acabar com o  atual surto que já matou mais de 1.670 pessoas; medida recomendada por grupo de especialistas teve em conta confirmação do primeiro caso em Goma, onde vivem mais de 2 milhões de pessoas.