Tigres encontram refúgio no Butão
BR

30 julho 2019

Acredita-se que menos de 3,8 mil animais da espécie ainda vivam na natureza, em apenas 13 países; Pnuma trabalha em programa para proteção de animais das montanhas em vários países, incluindo Tigre Real de Bengala.

Em 1850, as pegadas de um tigre podiam ser encontradas tanto na neve das florestas siberianas quanto nas areias das praias de Bali. Na época, entrar na maior parte da floresta da Ásia era entrar em uma área de domínio de um dos mais impressionantes predadores do mundo. Mais de 100 mil tigres chegavam a dominar a região selvagem do continente

Hoje, como aponta o Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, a população de tigres é de apenas 7% do que era. Acredita-se que menos de 3.8 mil animais da espécie ainda vivam na natureza, em apenas 13 países.

Asilo

Na maioria dos lugares, seus habitats são esparsos e fragmentados, confinando o predador de longo alcance a pequenos bolsões de áreas protegidas. Mas em um país, o tigre encontrou asilo.

No Butão, os tigres Reais de Bengala podem percorrer um habitat contíguo em todo o país, que se estende desde as selvas subtropicais das terras baixas até as florestas subalpinas, a 4,5 mil metros de altitude, nas encostas das montanhas.

As florestas cobrem cerca de 71% do país e mais da metade da nação é designada como área protegida. Com isso, um tigre residente tem liberdade de atingir praticamente qualquer lugar.

O Pnuma aponta que isso explica em parte sua abundância no Butão e que o país tem o dobro da concentração de tigres de qualquer outro. Os esforços de conservação também teriam contribuído maciçamente para essa densidade incomum.

Valor

De acordo com o diretor do Departamento de Serviços de Florestas e Parques do país, Lobzang Dorji, "o Governo Real do Butão está empenhado em proteger o tigre”.

Ele disse que se reconhece "o imenso valor que esta criatura” tem para os ecossistemas e que o Butão quer fazer tudo o que puder para garantir a sobrevivência da espécie.

A agência da ONU destaca que o tigre se beneficia das proteções rigorosas no Butão, da mesma forma que acontece em muitos outros países. Apesar disso, a caça furtiva continua a ser uma ameaça constante, não importa onde os tigres são encontrados.

Sobrevivência

O Pnuma diz que uma das chaves para a sobrevivência dos tigres é o habitat garantido e, nesse aspecto, o Butão se destaca. A constituição do país determina que o governo mantenha pelo menos 60% de cobertura florestal perpetuamente, garantindo um ambiente estável a longo prazo.

Os biólogos do Butão também estão trabalhando para a sobrevivência desses animais. No ano passado, uma equipe do Centro Nacional de Tigres colocou pela primeira vez um sensor em uma fêmea.

Agora, capazes de monitorar a localização do tigre, as autoridades de conservação estão usando os dados para mapear corredores de vida selvagem e evitar conflitos entre tigres e os humanos.

Hoje, como aponta o Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, a população de tigres é de apenas 7% do que era. , by Foto: Peter Schmidt

Mudança Climática

Apesar desses avanços, o Pnuma destaca que, mesmo neste santuário de montanha, o tigre não está fora de perigo.

Dorji explica que "garantir o futuro dos tigres exige estratégias de múltiplas etapas". Ele diz que "para um país montanhoso como o Butão, a mudança climática é uma ameaça real para a sobrevivência dos tigres."

Projeções prevêem monções mais pesadas e aumento de temperaturas. Esses fatores farão com que os agricultores migrem para altitudes mais elevadas para manter condições consistentes para suas lavouras.

Isso pode, por sua vez, levar a um habitat diminuído para a vida selvagem e mais conflitos entre humanos e tigres.

Colaboração

O Pnuma está trabalhando em estreita colaboração com o Governo do Butão e o Centro Global do Tigre para combater esses desafios por meio do Programa Vanishing Treasures, que é financiado pelo governo de Luxemburgo. O programa ajuda a proteger a sobrevivência das principais espécies de montanhas em vários países.

O gerente de programa da iniciativa da ONU, Matthias Jurek, disse que através do Vanishing Treasures a agência está trabalhando “para proteger espécies icônicas como o Tigre de Bengala Real.”

O projeto também apoiará o desenvolvimento de infraestrutura verde, incorporando habitats e corredores de vida selvagem no planejamento de infraestrutura. Fora isso, como os agricultores podem estar na linha de frente do conflito entre humanos e animais selvagens, o projeto também trabalhará para aumentar a resiliência dos ecossistemas e a produtividade das terras agrícolas.

O Pnuma acredita que isso ajudará a reduzir os efeitos da agricultura e fornecerá rendas mais altas para desinsenticar a caça furtiva.

 

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