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Diretora da Opas pede que países repensem resposta ao HIV BR

Dados mostram que as metas globais que foram estabelecidas para 2018 não foram alcançadas.
Foto Unicef: LeMoyne
Dados mostram que as metas globais que foram estabelecidas para 2018 não foram alcançadas.

Diretora da Opas pede que países repensem resposta ao HIV

Saúde

Novo relatório mostra que mundo está ficando para trás em seu compromisso de acabar com a epidemia da Aids entre crianças e adolescentes; globalmente, cerca de 160 mil crianças com idade entre 0 e 14 anos foram infectadas pelo vírus em 2018.

A inovação científica tem garantido um progresso sem precedentes no combate ao HIV/Aids, mas os países devem repensar sua resposta para pôr fim à epidemia até 2030.

O alerta foi feito pela diretora da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, Carissa Etienne, na 10ª Conferência da IAS sobre Ciência do HIV, IAS 2019. O evento organizado pela Sociedade Internacional de Aids termina esta quarta-feira na Cidade do México.

Para o Unaids, os progressos realizados  mostram o que pode ser alcançado por meio de forte liderança política, adoção rápida de políticas e esforços conjuntos de todas as partes interessadas.
Para o Unaids, os progressos realizados mostram o que pode ser alcançado por meio de forte liderança política, adoção rápida de políticas e esforços conjuntos de todas as partes interessadas., by Foto AFP/ Mujahid Safodien

Saúde Pública

A também diretora regional para as Américas da Organização Mundial da Saúde, OMS, disse que “a ciência tem guiado a inovação rumo a um progresso sem precedentes na resposta a uma doença infecciosa que, até pouco tempo, representava uma ameaça à vida de muitas pessoas.”

Ela afirmou que, no entanto, “o mundo não está a caminho de alcançar o objetivo de eliminar a Aids como uma ameaça para a saúde pública até 2030”.

Conferência

A diretora da Opas/OMS reconheceu que a elaboração e a implementação de enfoques baseados em saúde pública, direitos humanos e evidências têm conseguido reverter o curso da epidemia em muitos países.

Etienne destacou que “com base em nossos êxitos anteriores, é hora de reconsiderar nossa resposta para assegurar que alcancemos nossos objetivos.” Além disso, ela pontuou que “o caminho para acabar com a Aids passa por oferecer acesso e cobertura universal de saúde”.

Relatório

Um novo relatório divulgado durante a conferência mostra que  o ritmo de progresso na redução de novas infecções por HIV entre crianças e a expansão do acesso a tratamento para crianças, adolescentes e mulheres grávidas que vivem com o vírus diminuiu significativamente.  

Dados também indicam que as metas globais que foram estabelecidas para 2018 não foram alcançadas, apesar de importantes ganhos terem sido feitos em alguns países.

Populações-chave

Novas infecções por HIV registraram um aumento de 29% na Europa Oriental e na Ásia Central, de 10% no Oriente Médio e Norte da África e de 7% na América Latina.

Populações-chave, representadas por homens que fazem sexo com homens, pessoas transexuais e profissionais do sexo, e seus parceiros sexuais, representam agora até 54% das novas infecções em todo o mundo. Porém, menos de 50% são alcançados com a gama de métodos de prevenção que, combinados, podem evitar a infecção.

Segundo relatório, as crianças que vivem com o HIV também estão sendo deixadas para trás no aumento do tratamento e não estão sendo diagnosticadas e tratadas precocemente.
Segundo relatório, as crianças que vivem com o HIV também estão sendo deixadas para trás no aumento do tratamento e não estão sendo diagnosticadas e tratadas precocemente. , by Foto Unicef/ Aleksei Osipov

Crianças

Globalmente, cerca de 160 mil crianças com idade entre os zero e os 14 anos foram infectadas pelo HIV em 2018. Este é um decréscimo importante em relação as 240 mil novas infecções em 2010.

No entanto, como destaca o Programa Conjunto sobre HIV/Aids, a ambiciosa e importante meta estabelecida para 2018 foi de menos de 40 mil novas infecções.

Cerca de 82% das mulheres grávidas que vivem com o HIV agora têm acesso aos medicamentos antirretrovirais.

O relatório aponta ainda que houve progresso considerável entre os países do leste e sul da África, com mais de 90% das mulheres grávidas acessando medicamentos antirretrovirais em países como Etiópia, Quênia, Uganda, Tanzânia e Zimbábue e 95% ou mais em Botsuana, Malauí, Moçambique, Namíbia e Zâmbia.

Novas Infecções

Isso teria resultado em uma redução de 41% nas novas infecções por HIV entre crianças, com notáveis ​​reduções alcançadas em Botsuana, 85%, Ruanda, 83%, Maláui, 76%, Namíbia, 71%, Zimbábue, 69%, e Uganda, 65%, desde 2010.

Para o Unaids, os progressos realizados por esses países mostram o que pode ser alcançado por meio de forte liderança política, adoção rápida de políticas e esforços conjuntos de todas as partes interessadas.

As crianças que vivem com o HIV também estão sendo deixadas para trás no aumento do tratamento e não estão sendo diagnosticadas e tratadas precocemente. Estima-se que 940 mil crianças com idades entre zero e 14 anos estavam acessando o tratamento em 2018, o dobro do número que estava em tratamento em 2010, mas muito aquém da meta de 1,6 milhões estabelecida para 2018.

Tratamento

Segundo o estudo, as crianças que vivem com o HIV têm menos probabilidade de ter acesso ao tratamento do que os adultos que vivem com o vírus, uma disparidade que está aumentando em alguns países, especialmente na África ocidental e central. Como resultado, a epidemia de Aids ainda está reivindicando a vida de muitas crianças de zero a 14 anos.

O relatório também indica que o objetivo de reduzir o número anual de novas infecções por HIV entre mulheres jovens e meninas adolescentes com idade entre 15 e 24 anos para menos de 100 mil até 2020 é improvável de ser alcançado.

Resposta ao HIV

Para Etienne, a Agenda de Desenvolvimento Sustentável e o reforço do compromisso global com a cobertura universal de saúde são uma oportunidade para a sustentabilidade e o financiamento da resposta ao HIV, assim como a integração e ampliação da prevenção, diagnóstico e tratamento da infecção com outros serviços de saúde.

A diretora acredita que “é hora de os serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento antirretroviral para HIV estarem totalmente disponíveis junto aos serviços de tuberculose, infecções sexualmente não transmissíveis, hepatites virais, saúde sexual e reprodutiva e doenças crônicas não transmissíveis no primeiro nível de atenção, onde as necessidades das comunidades afetadas podem ser mais bem atendidas.”

Estrutura 3D de células infetadas com HIV, a verde e azul, interagindo com células não infetadas, a castanho e roxo.
Estrutura 3D de células infetadas com HIV, a verde e azul, interagindo com células não infetadas, a castanho e roxo. , by Donald Bliss/NLM/NIH

Serviços

O enfoque de integração de serviços, segundo Etienne, tem sido promovido pela Opas nas Américas e conseguido a eliminação dual da transmissão vertical do HIV e da sífilis em diversos países por meio da provisão de serviços integrais de saúde materno-infantil oferecidos na atenção primária à saúde.

A diretora da Opas considera que são necessárias mais pesquisas para que a inovação continue melhorando a efetividade dos métodos de prevenção, os regimes de tratamento, o desenvolvimento de novas ferramentas de laboratório e o uso de plataformas integradas para o diagnóstico e o monitoramento.

Dados e Evidências

Além disso, para Etienne são necessários mais dados e evidências para a prestação de serviços custo efetivos e amigáveis com o intuito de refinar a luta contra o estigma e a discriminação nos serviços de saúde e continuar explorando novos mecanismos de financiamento que promovam a sustentabilidade.

Depois de reconhecer as contribuições da comunidade Lgbti e salientar que o princípio do ativismo contra o HIV de “não deixar ninguém para trás” se tornou um eixo central da agenda de desenvolvimento, Etienne revisou os dados mais recentes sobre a epidemia.

A representante apontou que “a ciência e a inovação devem encontrar soluções para novos e antigos desafios.” Para ela, “os novos conhecimentos e orientações só terão impacto se houver programas nacionais e sistemas comunitários sólidos nos países para implementá-los.”

A diretora da Opas indicou ainda que “a ciência, a evidência e a inovação devem continuar a orientar políticas, programas e investimentos em HIV” e pediu a todos os parceiros que intensifiquem e acelerem as ações para acabar com a Aids até 2030.