Ebola na RD Congo é emergência em saúde pública de preocupação internacional

Desde o início do surto, 1.676 pessoas morreram devido ao ebola no leste da RD Congo.
Finnish Red Cross/Maria Santto
Desde o início do surto, 1.676 pessoas morreram devido ao ebola no leste da RD Congo.

Ebola na RD Congo é emergência em saúde pública de preocupação internacional

Saúde

Diretor-geral da OMS pede ação conjunta para acabar com o  atual surto que já matou mais de 1.670 pessoas; medida recomendada por grupo de especialistas teve em conta confirmação do primeiro caso em Goma, onde vivem mais de 2 milhões de pessoas.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, declarou esta quarta-feira que o surto de ebola na República Democrática do Congo, RD Congo, é uma emergência de saúde pública de preocupação internacional. Esta declaração significa que o surto é grave, repentino, incomum ou inesperado.

A situação de risco traz implicações para a saúde pública além da fronteira nacional do estado afetado e pode requerer ação internacional imediata.

Solidariedade

Falando em Genebra, o diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus, disse que é hora de o mundo perceber e redobrar os esforços de combate à doença. Segundo o representante, é preciso trabalhar em conjunto, em solidariedade com a RD Congo, para “acabar com o surto e construir um sistema de saúde melhor”.

Os painéis serão antecedidos por uma apresentação do diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, e contarão com especialistas e representantes da sociedade civil e do setor privado
Diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus., by ONU/Daniel Johnson

Para o chefe da OMS, "foi feito um trabalho extraordinário, por quase um ano, nas circunstâncias mais difíceis". Ele disse que "todos devem aos profissionais que foram para o país para suportar o fardo, idos não apenas da OMS, mas também do governo, de parceiros e comunidades".

As declarações foram feitas na sequência de uma reunião do Comitê de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional para o ebola na RD Congo que aconteceu em Genebra. 

Para fazer a recomendação, o grupo de especialistas mencionou os recentes desenvolvimentos no surto, incluindo o primeiro caso confirmado no domingo em Goma. Na cidade oriental que faz fronteira com o Ruanda vivem quase 2 milhões de pessoas e tem uma grande circulação de viajantes do país e do mundo.

Resposta

A OMS anunciou que pelo menos 2.512 mil pessoas foram infectadas e 1.676 morreram devido ao surto declarado em agosto de 2018 nas províncias de Ituri e Kivu do Norte da RD Congo.

Na quarta reunião do Comitê de Emergência, o grupo de especialistas revelou desapontamento com atrasos no financiamento, que limitaram a resposta. 

Zona de tratamento do ebola na província do Kivu Norte
Zona de tratamento do ebola na província do Kivu Norte, by Unicef/Tremeau

Os participantes também reforçaram que é preciso proteger os meios de subsistência das pessoas mais afetadas pelo surto, mantendo abertas as rotas de transporte e as fronteiras. É essencial evitar as consequências econômicas punitivas das restrições de viagens e comércio às comunidades afetadas.

Restrições

O presidente do Comitê de Emergência, Robert Steffen, disse que é importante que o mundo siga as novas recomendações.

Ele alertou que também é crucial que os Estados não usem a declaração de emergência internacional como um pretexto para impor restrições comerciais ou de viagens, o que "teria um impacto negativo na resposta e nas vidas e meios de subsistência das pessoas na região".

Quando o surto foi declarado, há quase um ano, foi classificado como uma emergência de nível 3. O escalão mais alto da OMS  impulsionou o maior nível de mobilização da agência.

Apoio

As Nações Unidas também reconheceram a gravidade da emergência e  aumentaram o nível do Sistema Humanitário para apoiar a resposta ao ebola.

O diretor-geral da OMS disse que as recomendações sobre o surto têm a ver com “mães, pais e crianças - muitas vezes famílias inteiras atingidas.  Ele declarou que no centro dessas ações estão comunidades e tragédias individuais.

Tedros pediu ainda que a nova medida anunciada pela OMS não seja usada para estigmatizar ou penalizar as pessoas que mais precisam de ajuda internacional.

Um cuidador no Centro de Tratamento Ebola de Butembo, beija um bebê de sete meses que perdeu a mãe devido ao ebola poucos dias antes.
© UNICEF/Vincent Tremeau
Um cuidador no Centro de Tratamento Ebola de Butembo, beija um bebê de sete meses que perdeu a mãe devido ao ebola poucos dias antes.