RD Congo confirma primeiro caso de ebola em cidade com mais de 2 milhões de pessoas
BR

15 julho 2019

Diretor-geral da OMS diz que situação pode ser um divisor de águas na epidemia na reunião de alto nível que acontece em Genebra; Comitê de Emergência será reunido o mais rapidamente possível.

A resposta e a preparação para lidar com o surto do ebola na República Democrática do Congo, RD Congo, é o tema da reunião de alto nível que abriu  esta segunda-feira em Genebra.

Na abertura da reunião internacional, os parceiros destacaram que será preciso um esforço contínuo para vencer o atual surto.

Um cuidador no Centro de Tratamento Ebola de Butembo, beija um bebê de sete meses que perdeu a mãe devido ao ebola poucos dias antes. Foto: © UNICEF/Vincent Tremeau

Emergência

Entre os participantes no evento estão o ministro da Saúde da RD Congo, o  subsecretário-geral para Assuntos Humanitários, o coordenador para a Resposta de Emergência ao Ebola das Nações Unidas e representantes e ONGs.

Na abertura do evento, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus disse que a identificação de um caso da doença na cidade congolesa de Goma pode ser um divisor de águas na epidemia.

O chefe da agência disse que por essa razão, ele decidiu reunir o Comitê de Emergência o mais rapidamente possível para avaliar a ameaça deste novo desenvolvimento e receber assessoria em relação ao assunto.

Epicentro

A cidade de Goma é um importante corredor de trânsito onde vivem mais de 2 milhões de pessoas. Neste domingo, um homem testou positivo para o vírus em um centro local, após ter chegado este domingo da área de Butembo que é considerada o epicentro do atual surto.

Os funcionários de saúde receavam que o vírus pudesse chegar à cidade após o surto que eclodiu em agosto passado ter causando a morte de mais de 1,6 mil pessoas. As autoridades dizem haver “um baixo risco de disseminação da doença” apesar da descoberta do novo paciente.

Ghebreyesus disse que a disseminação da doença será vencida com ação conjunta, mas pediu que sejam abordadas as causas básicas do surto: o sistema de saúde fraco, a insegurança e a instabilidade política além de mais atenção ao desenvolvimento humanitário.

Finnish Red Cross/Maria Santto
Desde o início do surto, 1.676 pessoas morreram devido ao ebola no leste da RD Congo.

Instabilidade

Para ele, este é o momento de praticar o que já está definido perante os desafios que fazem deste surto que é “uma das emergências humanitárias mais complexas já enfrentadas” pela comunidade humanitária.  

Ghebreyesus disse que cada ataque realizado na área com grupos armados oferece uma oportunidade de espalhar a doença. O chefe da OMS declarou ainda que existe  a desconfiança da comunidade, a instabilidade política e a disseminação da desinformação que são barreiras significativas para ações de combate ao ebola.

Para o diretor da OMS, uma das principais lições deste surto é que deve haver investimento na preparação essencial, uma atitude que poupa dinheiro. O chefe da agência apontou que um dos exemplos disso é o Uganda.

Ele afirmou que para se acabar com o surto com forte apoio internacional é necessário: financiamento urgente e sustentado para a resposta de saúde pública, um ambiente propício  para o alcance político e para a comunidade e segurança apropriada.

 

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