Mulheres da Guiné-Bissau preparam-se para melhorar estratégias para eleições

12 julho 2019

Apoio da ONU pretende melhorar prestação em próximas votações; organização apoiou  ateliê analisou lições das legislativas de 10 de março.*

Mulheres líderes, parceiros nacionais e internacionais refletiram esta semana  sobre a aplicação da lei de paridade no último processo eleitoral e os principais desafios para maior inclusão e democracia.

A iniciativa da ONU Mulheres teve apoio técnico e financeiro do Escritório Regional Para a África Ocidental sobre a Participação Política da Mulher e o Gabinete Integrado das Nações Unidas Para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau.

A representante da Unidade de Género do Uniogbis, Catarina Gomes Viegas, explicou a razão da capacitação, diante dos objetivos da cota de 36% de mulheres no Parlamento prevista na lei de paridade. Foto: Amatijane Candé

Paridade

A representante da Unidade de Género do Uniogbis, Catarina Gomes Viegas, explicou à ONU News a razão da capacitação, diante dos objetivos da cota de 36% de mulheres no Parlamento prevista na lei de paridade. Essa meta não foi atingida nas  eleições legislativas de 10 de março último.

“ Os partidos políticos não tiveram tempo de digerir esta lei, enquadrar e aplicar na elaboração das listas dos candidatos à deputado, e o segundo fator foi a falta de divulgação durante as eleições legislativas para que a população em geral tivesse em conta este aspeto”.

Estagnação

A lei foi aprovada em agosto de 2018 e promulgada em dezembro. As eleições foram realizadas em março deste ano. Apenas 13 mulheres foram eleitas, menos uma do que na legislatura anterior, mantendo em 14% a representação das mulheres no Parlamento guineense.

O ateliê analisou o quadro jurídico do sistema político guineense, discutiu possíveis apoios à participação das mulheres na política e nas esferas de tomada de decisão. A ideia é desenvolver uma estratégia tendente a aumentar os indicadores desta participação.

Gomes Veigas falou das vantagens da lei de paridade para o país, ressalvou o papel desta na composição do atual governo com mais de 35% de mulheres e destacou o aumento de aderência das mesmas na política.

“ A lei de paridade fez com que seja tido em conta a nomeação de mulheres no governo, todos os líderes dos partidos políticos foram sensibilizados e estão engajados a nomear as mulheres para os lugares de decisão. Falta fazer mais trabalho, encoraja-los para nomear as mulheres”.

Engajamentos

 A Guiné-Bissau é signatária da Convenção Para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres. O grupo representa mais de 52% da sua população do país que figura entre os que têm as piores taxas de mulheres parlamentares.

O país registou progressos significativos no domínio da igualdade de género, colocando-se no patamar do primeiro Estado oeste africano com um governo inclusivo e equilibrado com 35.48% de mulheres.

O encerramento foi presidido pela ministra da Justiça, Rute Monteiro, na presença da chefe da Unidade de Género do Uniogbis e da Conselheira do Escritório Regional Para a África Ocidental e Central sobre a participação política da mulher.

 

* Amatijane Candé, de Bissau para a ONU News

 

 

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