General brasileiro vê “grande iniciativa dos países” após realizar estudo sobre boinas-azuis
BR

12 julho 2019

Estudo do ex-comandante de forças de paz na RD Congo ajudou a criar estratégia para reduzir perigos de forças de paz; oficial recomenda motivação, iniciativa e autonomia de pensamento para entrada de mais boinas-azuis mulheres. 

O general da reserva brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz participou na Conferência da ONU de Chefes de Defesa, após ter liderado um relatório sobre o aumento da segurança nas missões de paz. 

O estudo foi divulgado no ano passado pelo secretário-geral, António Guterres, e fez parte das questões tratadas no evento que termina esta sexta-feira em Nova Iorque. 

General brasileiros liderado um relatório sobre o aumento da segurança nas missões de paz. , by Foto ONU/Sylvain Liechti

Estratégia  

Falando à ONU News, o oficial brasileiro disse ter havido avanços após a condução de sua pesquisa, que foi a base de uma estratégia para reduzir perigos enfrentados pelos boinas-azuis. 

“Hoje a gente já vê uma grande iniciativa dos países contribuintes no terreno. Você vê o treinamento dentro da área das missões para aumentar a especialização do pessoal, tem várias medidas que a ONU vem fazendo e eu tenho absoluta certeza que eles vão reforçar as realizações das missões de paz.” 

Questionado sobre um possível papel mais ativo na organização, Santos Cruz deixou o futuro em aberto mas declarou que não tem essa aspiração. 

Opções 

 “Eu sempre estive disponível a qualquer tarefa, particularmente aquelas ligadas à parte prática que a ONU desempenha no terreno, mas a ONU tem seus critérios, ela tem seus momentos e definições e eu não tenho pretensão nenhuma (mas estaria aberto para uma oportunidade?) sem dúvida nenhuma, não tenho nenhuma expetativa e nenhuma pretensão, qualquer tarefa que eu seja convocado eu vou me empenhar da mesma forma que eu sempre me empenhei. A ONU tem uma gama de opções e então, não é o caso de se ter qualquer pretensão.” 

A conversa também abordou o reforço da presença de mulheres nas forças internacionais. Essa é uma das questões de maior debate na ONU, cujo efetivo global das forças de paz é composto por 4% de soldados de paz de sexo feminino. 

O general da reserva brasileiro disse que o aumento de mulheres em missões de paz ultrapassa a mera necessidade de um “equilíbrio matemático de efetivos”.  

“Não é assim. Tem que entender a estrutura social dos países, o papel da família, como ela se organizam, tem que melhorar as condições de trabalho das mulheres no terreno. As condições de trabalho e até de habitação têm que ser mais apropriadas porque tem uma cultura de como organizar os campos, os acampamentos e as bases. Tudo isso tem que melhorar para que se possa atrair o público feminino para as missões de paz. A mulher tem outros encargos na sociedade, a família.” 

Receita de Sucesso

Carlos Alberto dos Santos Cruz disse ter observado a competência de várias boinas-azuis com quem operou na organização, onde também foi chefe das Forças Militares na Missão da ONU na República Democrática do Congo, Monusco. 

O oficial defende que haja mais estímulos para atrair mulheres para as operações de paz.  

Para o general da reserva, a receita de sucesso para elas inclui fatores “como motivação, iniciativa e independência no modo de pensar” para atuar nas operações de paz. 

 

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