Filme brasileiro em realidade virtual sobre desastre ambiental em Mariana ganha prêmio na ONU
BR

10 julho 2019

Documentário Rio de Lama foi produzido por Tadeu Jungle; curta-metragem foi o vencedor de festival na categoria RV/360; anúncio foi feito no Fórum Político de Alto Nível sobre Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs.

O cineasta e videoartista brasileiro Tadeu Jungle é o vencedor do Festival de Filmes ODSs em Ação. O filme Rio de Lama venceu na categoria Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em realidade virtual/360 graus.

O anúncio foi feito esta terça-feira no primeiro dia do Fórum Político de Alto Nível nas Nações Unidas. Na quinta-feira, ele recebe esse reconhecimento no evento que reúne centenas de representantes internacionais em Nova Iorque.

Rio de Lama, filme em realidade virtual do cineasta brasileiro Tadeu Jungle, ganha prêmio em festival na ONU.
Divulgação

Tecnologia

Em entrevista exclusiva à ONU News, o cineasta falou da obra que o destacou entre mais de mil inscritos para o festival. A participação aumentou em mais de 40% em relação ao ano passado.

“É um prêmio importante para o Brasil recebê-lo. Eu acho que ele vai fortalecer uma série de princípios que a gente está tentando estabelecer lá. O Rio de Lama é um documentário que tem nove minutos de duração. Ele foi feito em realidade virtual. Esses filmes que você assiste através dos óculos. É tecnologia imersiva onde você está dentro da situação.”

Jungle disse que o cenário e as circunstância do filme foram únicos. A experiência imersiva retrata o desastre ambiental na cidade brasileira de Mariana, em Minas Gerais. Os detalhes sobre a produção foram acompanhados por uma audiência internacional em conversa sobre tendências emergentes na ação dos ODS.

Foi no início do bate-papo com a integrante do júri, Lisa Russell, que a mediadora e coordenadora do Festival, Ariel Alexovich, fez o anúncio da vitória do videoartista e cineasta brasileiro.

Rompimento

“O Rio de Lama foi feito sobre o desastre de Mariana, em 2015, e foi lançado em 2016.  É um filme que eu considero transformador e histórico na medida em que tem um registro da cidade de Bento Rodrigues, que foi arrasada pelo rompimento da barragem da Vale e da Billington. Ali, a gente conta uma história de uma saudade ou de uma ausência. Eu entrevistei os moradores. Eu fiz no calor da tragédia, eu fui para lá fazer o filme e não tinha um roteiro. Eu não tinha um script. Eu não tinha porque era um documentário feito no calor da situação.”

A competição das Nações Unidas oferece aos cineastas amadores e profissionais em todo o mundo a chance de enviar filmes de até 20 minutos.

As produções mostram como vários indivíduos e iniciativas podem ajudar a encontrar soluções tangíveis para grandes ameaças que o mundo enfrenta, transformando os ODSs em realidade, como expressou Jungle.

Tadeu Jungle, vencedor na categoria
© GlobalGoals UN
Tadeu Jungle, vencedor na categoria

Amazonas

“O prêmio é muito importante porque é um prêmio dado pela ONU. Eu acho que ele vai-nos ajudar a fortalecer, não somente essas causadas barragens em si, mas também do meio ambiente da luta pelo meio ambiente.  E por todas as lutas que estão se fazendo hoje que são muito importantes. A demarcação das terras indígenas é muito importante.  A questão do extrativismo e da mineração ilegal na Amazônia e nós temos muitas causas muito importantes. Esse filme vai nos ajudar. Vai ser noticiado e a gente vai falar mais sobre isso como a gente está falando aqui e agora.”

O evento é coordenado pela Departamento dos Assuntos Econômicos e Sociais da ONU sobre os ODSs e envolve curtas-metragens que destacam as ações de pessoas e organizações no mundo em prol das 17 metas globais.

O festival foi lançado do ano passado em conexão com o Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontece anualmente na sede da ONU.

 

 

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