Países estão fora dos trilhos para atingir metas de educação até 2030
BR

10 julho 2019

Unesco apresenta projeções indicando que apenas 4% dos 20% mais pobres concluíram o ensino médio nos países menos desenvolvidos, em comparação com 36% dos mais ricos; diferença é ainda maior em países de baixa e média renda.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, alertou que os países não atingirão as metas educacionais da Agenda 2030, o ODS número 4, sem importantes progressos ao longo da próxima década.

As projeções da agência foram feitas antes do Fórum Político de Alto Nível da ONU em Nova Iorque, que examina o processo para alcançar os ODSs. Os dados mostram que, enquanto todas as crianças deveriam estar na escola, uma em cada seis crianças de seis aos 17 anos será excluída do sistema educacional até 2030.

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável enfatiza a necessidade de “não deixar ninguém para trás”. , by Foto: UnicefEthiopia/2018/Mersha

Projeções

A Unesco também indica que 40% das crianças do mundo não conseguirão concluir o ensino secundário nesse período. O percentual deve chegar a 50% na África Subsaariana, onde a proporção de professores capacitados tem caído desde 2000.

As novas projeções, “Atingindo compromissos: os países estão no caminho para alcançar o ODS 4?” foram produzidas pelo Instituto de Estatísticas da Unesco e pelo Relatório de Monitoramento da Educação Global.

Para a agência, os números são preocupantes, considerando que o ODS 4 prevê um aprendizado efetivo, não apenas a presença na escola.

Tendências

Considerando as atuais tendências, as taxas de aprendizado devem estagnar nos países de média renda e cair em quase um terço nos países africanos francófonos até 2030.

Além disso, sem uma rápida aceleração, 20% dos jovens e 30% dos adultos em países de baixa renda não conseguirão ler até 2030. Para esse período foi definida a eliminação do analfabetismo no mundo.

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável enfatiza a necessidade de “não deixar ninguém para trás”. No entanto, apenas 4% dos 20% mais pobres concluíram o ensino médio nos países menos desenvolvidos, em comparação com 36% dos mais ricos. A diferença é ainda maior em países de baixa e média rendas.

Déficit

Em 2015, o Relatório de Monitoramento da Educação Global da Unesco identificou um déficit de U$39 bilhões para atingir o ODS 4, mas a ajuda para a educação estagnou desde 2010.

A diretora do Instituto de Estatísticas da Unesco, Silvia Montoya, destacou que “os países precisam de mais e melhores dados para implementar políticas e fazer o máximo possível com cada dólar gasto em educação.”

Para Montoya, “os dados são necessários, não um luxo, para todos os países.” Ela destacou que, no entanto, “atualmente, menos da metade das nações são capazes de fornecer os dados necessários para monitorar o progresso rumo ao objetivo global de educação.”

Mais de dois terços das crianças em idade pré-escolar que vivem em 33 países afetados por conflitos ou desastres não estão matriculados em programas de educação na primeira infância. , by UnicefEthiopia/2018/Mersha

Relatório

Uma publicação complementar do Relatório de Monitoramento da Educação Global analisa políticas que as nações afirmam ter adotado desde 2015 para atingir as metas nesse setor, enfatizando a necessidade de alinhar os planos nacionais de educação ao ODS4.

O diretor do relatório, Manos Antoninis, disse que “os países interpretaram o significado das metas do objetivo global de educação de maneiras muito diferentes” e que “isso parece correto”, já que estes partem de pontos diferentes.

Antoninis apontou que mesmo assim, “eles não podem desviar muito de suas promessas feitas em 2015.” Para ele, “se os países ajustarem seus planos aos seus compromissos agora, estes podem voltar aos trilhos rumo a 2030.”

Obrigações

O relatório mostra que muitos países priorizaram a equidade e a inclusão desde 2015 para cumprir suas obrigações.

Entre os exemplos estão os vouchers escolares emitidos para estudantes indígenas na Bolívia, as taxas de ensino que foram abolidas para os mais pobres no Vietnã e as transferências monetárias condicionais dadas para crianças refugiadas na Turquia e crianças com deficiências intelectuais graves na África do Sul.

A aprendizagem também tem sido priorizada, com um terço dos países introduzindo avaliações de aprendizado para analisar as tendências ao longo do tempo. Um em cada quatro países usa os resultados da aprendizagem para reformar seus currículos.

As sinergias mais fracas entre os planos dos países e seus compromissos de educação são vistas na falta de colaboração intersetorial, que normalmente só pode ser encontrada em tentativas de vincular a educação na primeira infância e a assistência médica e, mais tarde, a educação e o mercado de trabalho.

 

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