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Quatro resgatados em naufrágio com mais de 80 passageiros no Mediterrâneo BR

Refugiados em um bote inflável se aproximam da costa perto de Skala Eressos, em Lesbos, enquanto um barco vazio jaz na praia.
Unicef/ Ashley Gilbertson VII Para a diretora regional do Unicef para a Europa e Ásia Central, Afshan Khan, é inconcebível que mais uma vez a política seja priorizada em relação ao salvamento de vidas das crianças presas no mar Mediterrâneo.

Quatro resgatados em naufrágio com mais de 80 passageiros no Mediterrâneo

Migrantes e refugiados

Sobreviventes levados para a Tunísia têm sinais de trauma e estão em estado de choque; OIM apura o que aconteceu e quantas pessoas desapareceram no incidente; agência estima que 426 pessoas se afogaram tentando atravessar o Mediterrâneo Central este ano.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, receia que mais de 80 migrantes tenham morrido em naufrágio de um barco que aconteceu esta semana na costa mediterrânica da Tunísia. 

Nesta sexta-feira, a agência confirmou o resgate de quatro sobreviventes que depois foram levados para a Tunísia. Um deles era cidadão marfinense de 29 anos, que morreu de hipotermia no hospital na manhã de quinta-feira.

Uma mulher em apuros se apoia no parapeito de um barco no mar.
De acordo com a OIM, pelo menos 426 pessoas se afogaram tentando atravessar a rota do Mediterrâneo central em 2019. Foto: Acnur/Hereward Holland

Atualizações

Todos os que foram resgatados eram do sexo masculino. A embarcação transportava um total de 86 passageiros incluindo mulheres e crianças. De acordo com a OIM, “mais atualizações serão necessárias para confirmar o que sucedeu e qual era o número real de desaparecidos”.

O grupo de sobreviventes contou que embarcou na área de Zwara, na Líbia, na segunda-feira. Algumas horas depois, o barco começou a encher de água, o que provocou confusão e movimentos frenéticos das dezenas de passageiros que estavam a bordo.

Depois de cerca de 40 horas na água, os ocupantes foram vistos por pescadores que alertaram à Guarda Costeira da Tunísia. As autoridades levaram os sobreviventes até a área de Zarzis.

Quatro mulheres e duas crianças estavam entre os passageiros quando o barco saiu da área de Zwara, na Líbia, no princípio da noite. Uma das mulheres estava grávida, duas viajavam com pelo menos um menor e outras crianças desacompanhadas seguiam no grupo.

Passageiros

Os sobreviventes disseram que entre os passageiros estaria um egípcio, um gambiano e vários outros do Mali, da Guiné-Conacri e da Cote d’Ivoire, conhecida por Costa do Marfim.

Entre 10 e 11 de maio foram resgatadas duas embarcações superlotadas que deixaram a área líbia de Zwara ao mesmo tempo. Em uma delas, 59 pessoas desapareceram e 16 foram resgatadas. Na segunda, todos os 69 ocupantes foram salvos.

De acordo com a OIM, pelo menos 426 pessoas se afogaram tentando atravessar a rota do Mediterrâneo central. Cerca de 3.750 foram devolvidas a locais de detenção sistemática e arbitrária onde “continuam em situação de risco devido aos confrontos que acontecem na capital da Líbia, Trípoli”.

A chefe do Escritório da OIM na Tunísia, Lorena Lando, disse que entre os sobreviventes desta semana, dois estão hospitalizados e um se encontra em um abrigo dirigido pelo Crescente Vermelho da Tunísia.

Um grupo de refugiados e migrantes africanos está sentado em um pequeno barco superlotado no Mar Mediterrâneo, aguardando resgate.
Acnur/Hereward Holland Mais de 17 mil migrantes chegaram à Itália e a Malta de embarcações com origem na Líbia e Tunísia.

Necessidades

Lando disse que a agência continua em contato com todos eles, que supostamente são cidadãos do Mali, porque parecem estar em estado de choque e traumatizados.

Em parceria com o Crescente Vermelho, a OIM ofereceu artigos básicos e apoio psicológico.