Quatro resgatados em naufrágio com mais de 80 passageiros no Mediterrâneo
Sobreviventes levados para a Tunísia têm sinais de trauma e estão em estado de choque; OIM apura o que aconteceu e quantas pessoas desapareceram no incidente; agência estima que 426 pessoas se afogaram tentando atravessar o Mediterrâneo Central este ano.
A Organização Internacional para Migrações, OIM, receia que mais de 80 migrantes tenham morrido em naufrágio de um barco que aconteceu esta semana na costa mediterrânica da Tunísia.
Nesta sexta-feira, a agência confirmou o resgate de quatro sobreviventes que depois foram levados para a Tunísia. Um deles era cidadão marfinense de 29 anos, que morreu de hipotermia no hospital na manhã de quinta-feira.
Atualizações
Todos os que foram resgatados eram do sexo masculino. A embarcação transportava um total de 86 passageiros incluindo mulheres e crianças. De acordo com a OIM, “mais atualizações serão necessárias para confirmar o que sucedeu e qual era o número real de desaparecidos”.
O grupo de sobreviventes contou que embarcou na área de Zwara, na Líbia, na segunda-feira. Algumas horas depois, o barco começou a encher de água, o que provocou confusão e movimentos frenéticos das dezenas de passageiros que estavam a bordo.
Depois de cerca de 40 horas na água, os ocupantes foram vistos por pescadores que alertaram à Guarda Costeira da Tunísia. As autoridades levaram os sobreviventes até a área de Zarzis.
Quatro mulheres e duas crianças estavam entre os passageiros quando o barco saiu da área de Zwara, na Líbia, no princípio da noite. Uma das mulheres estava grávida, duas viajavam com pelo menos um menor e outras crianças desacompanhadas seguiam no grupo.
Passageiros
Os sobreviventes disseram que entre os passageiros estaria um egípcio, um gambiano e vários outros do Mali, da Guiné-Conacri e da Cote d’Ivoire, conhecida por Costa do Marfim.
Entre 10 e 11 de maio foram resgatadas duas embarcações superlotadas que deixaram a área líbia de Zwara ao mesmo tempo. Em uma delas, 59 pessoas desapareceram e 16 foram resgatadas. Na segunda, todos os 69 ocupantes foram salvos.
De acordo com a OIM, pelo menos 426 pessoas se afogaram tentando atravessar a rota do Mediterrâneo central. Cerca de 3.750 foram devolvidas a locais de detenção sistemática e arbitrária onde “continuam em situação de risco devido aos confrontos que acontecem na capital da Líbia, Trípoli”.
A chefe do Escritório da OIM na Tunísia, Lorena Lando, disse que entre os sobreviventes desta semana, dois estão hospitalizados e um se encontra em um abrigo dirigido pelo Crescente Vermelho da Tunísia.
Necessidades
Lando disse que a agência continua em contato com todos eles, que supostamente são cidadãos do Mali, porque parecem estar em estado de choque e traumatizados.
Em parceria com o Crescente Vermelho, a OIM ofereceu artigos básicos e apoio psicológico.