No Caribe, Guterres pede “aumento maciço de ambição” no combate à mudança climática

3 julho 2019

Secretário-geral participa em encontro de chefes de Estado da Comunidade Caribenha que acontece na ilha de Santa Lúcia no Caribe; além do ambiente, o chefe da ONU destacou temas como segurança e desenvolvimento econômico.

O secretário-geral das Nações Unidas disse esta quarta-feira que os países do Caribe “são aliados importantes na luta contra a ruptura climática.”

António Guterres discursou no encontro de chefes de Estado da Comunidade Caribenha, Caricom, que acontece na ilha de Santa Lúcia no Caribe.

Danos

Secretário-geral com chefes de Estado e de governo no Caricom em Santa Lúcia, ONU News

Nas declarações, o chefe da ONU lembrou a visita que fez há dois anos a Barbuda e Dominica, depois dos ciclones Irma e Maria, dizendo que “anos de desenvolvimento conquistados com custo foram destruídos em apenas um par de dias.”

Guterres afirmou que “à medida que os desastres naturais relacionados com o clima aumentam em frequência e gravidade, os riscos para as famílias e para o desenvolvimento geral apenas se intensificam.”

Para ele, a experiência caribenha “deixa claro” que “é preciso reduzir urgentemente as emissões globais e trabalhar coletivamente para garantir que o aumento da temperatura global não ultrapasse 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais.”

É por isso que o secretário-geral pede a todos os líderes que apresentem planos na Cimeira sobre Ação Climática que acontece em Nova Iorque, em setembro, para reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 45% até 2030 e alcançar a neutralidade do carbono até 2050.

Segundo ele, é preciso “aumentar maciçamente a ambição de promover o desenvolvimento de baixa emissão e resiliência, incluindo a solução de perdas e danos causados ​​por impactos climáticos.”

Aliados

Guterres disse que são necessárias “todas as mãos no convés para tornar essa transformação possível.”

Destacando temas como poluição plástica, erosão costeira, eventos climáticos extremos mais frequentes, aumento do nível do mar e perda de biodiversidade, o chefe da ONU disse que os estados caribenhos “enfrentam imensa pressão.”

Apesar dessas dificuldades, os países do Caribe são aliados e as suas vozes “fazem se ouvir altas e claras nas salas de negociação.”

Segundo Guterres, estas nações “estão rapidamente se tornando influentes bancos de testes para ações climáticas inovadoras, como o investimento em energia renovável descentralizada.”

Esse tipo de investimento “renderá fontes de eletricidade economicamente mais sustentáveis, mas também soluções de energia limpa.” Estes sistemas “também garantirão que as perdas de energia após as tempestades serão mais curtas e menos catastróficas para as residências, hospitais e empresas.”

Meninas e mulheres

Além do ambiente, o secretário-geral também disse que se deve “abordar a questão da insegurança dos cidadãos.”

Muitas famílias na República Dominicana perderam tudo após o furacão que atingiu a ilha em 2017, Unicef/Manuel Moreno

Lembrando que as taxas de assassinato em partes do Caribe são mais altas do que em qualquer outra região do mundo, Guterres disse que “a violência contra as mulheres e meninas é uma dimensão significativa da insegurança dos cidadãos.”

Segundo o representante, esse problema “aumenta na sequência de catástrofes naturais e é um obstáculo para as sociedades resilientes em geral.”

O chefe da ONU destacou a decisão da Iniciativa Spotlight, uma parceria entre a ONU e a União Europeia, que se associou à Caricom e seis países da região. No total, 50 milhões de euros serão investidos na prevenção e reparação da violência contra mulheres e raparigas.

Economia

António Guterres também apontou o desenvolvimento econômico da região, afirmando que “os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, Sids, enfrentam uma série de restrições econômicas.”

Segundo ele, “o pequeno tamanho dos seus mercados domésticos e a limitada capacidade de participar dos mercados globais impedem a criação de economias de escala.”

Apesar dessas dificuldades, o secretário-geral afirmou que “chegou a hora de a comunidade internacional considerar seriamente a melhor maneira de abordar o crescente problema do superendividamento dos países de renda média.”

Ele disse que essa questão “atrasa o progresso em direção ao desenvolvimento sustentável” e torna os países “ainda mais vulneráveis ​​a choques externos.”

Guterres concluiu dizendo que apoia “fortemente” a proposta da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal, de “converter dívida em investimento em resiliência.”

Esta quarta-feira, o secretário-geral também se encontrou com o primeiro-ministro de Santa Luzia, Allen Chastanet, e outros chefes de Estado e de governo presentes.

Na quinta-feira, o secretário-geral visita uma comunidade de pescadores em Praslin Bay.

 

 

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