“Protestos de domingo aparentemente não tiveram precedentes na história do Sudão”

3 julho 2019

Chefe de direitos humanos destaca dimensão e amplitude de manifestações ocorridas em 10 cidades sudanesas; Michelle Bachelet quer investigação independente a atos de violência e alegações de uso excessivo da força.

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, defende que “a escala e amplitude dos protestos de domingo protestos de domingo aparentemente não tiveram precedentes na história do Sudão.”

Em nota lançada esta quarta-feira, Bachelet pediu às autoridades do país que levantem as restrições na internet e lancem investigações independentes sobre atos de violência e alegações de uso excessivo da força, incluindo ataques a hospitais.

Distribuíçao de comida em Pieri, no Sudão do Sul, onde o PMA assiste 29 mil pessoas, PMA/Gabriela Vivacqua

Investigação

O Conselho Militar de Transição deu ordens para que a internet fosse totalmente desligada em 10 de junho.

Novos detalhes das manifestações em massa em 10 cidades sudanesas apontam para sete mortes e 181 feridos. Os atos, que também ocorreram na capital Cartum, seguem-se aos apelos feitos pela Associação de Profissionais do Sudão exigindo uma autoridade de transição liderada por civis.

Bachelet afirma que, após anunciar o número de vítimas, um alto funcionário do Ministério da Saúde disse que, em grande parte, a violência foi iniciada por manifestantes. Ela observou que 10 membros das forças de segurança estavam entre os feridos.

Governo Civil

O pedido às autoridades é que respeitem o direito das pessoas de protestar de forma pacifica e garantam uma transição rápida para um governo civil, como pretendem os grandes segmentos da população sudanesa e a União Africana.

A chefe de direitos humanos disse ainda que o seu escritório recebeu uma série de alegações de uso excessivo da força pelas forças de segurança contra os manifestantes, que incluem a ação de grupos paramilitares e outras forças de segurança.

Para Bachelet, é essencial que haja “investigações rápidas, transparentes e independentes sobre como todas essas pessoas perderam a vida”, bem como as “causas de um número tão grande de ferimentos”.

A chefe de direitos humanos disse terem sido ignorados pedidos anteriores de investigações sobre assassinatos, ataques a instalações médicas e milhares de estupros e agressões sexuais ocorridos em 3 de junho e nos dias subsequentes.

Violações

Ela afirmou que ainda não teve resposta a uma oferta que fez em 7 de junho, sobre o envio de  uma equipa de monitoramento de direitos humanos da ONU para examinar alegações de violações cometidas desde o princípio do mês passado.

Para Bachelet, as restrições, as promessas não cumpridas e os ataques violentos desenfreados, não investigados nem punidos, alimentam o ressentimento em massa, tal como foi demonstrado nos protestos de domingo. A nota adverte que se continuar assim, “a situação será uma receita para o desastre”.

A chefe de direitos humanos quer instruções claras das autoridades a todas as forças de segurança para que não seja usada a força contra manifestantes pacíficos. A alta comissária observa que o uso de armas de fogo é proibido a menos que haja risco iminente de vida ou ferimentos graves.

 

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