ONU: ataque fatal a centro de migrantes na Líbia “pode ser considerado um crime de guerra” BR

As consequências do ataque aéreo devastador no Centro de Detenção Tajoura, na capital da Líbia, Trípoli, em 2 de julho.
OIM/Moad Laswed
As consequências do ataque aéreo devastador no Centro de Detenção Tajoura, na capital da Líbia, Trípoli, em 2 de julho.

ONU: ataque fatal a centro de migrantes na Líbia “pode ser considerado um crime de guerra”

Paz e segurança

Pelo menos 44 pessoas morreram e 130 pessoas ficaram gravemente feridas no ato ocorrido em complexo situado no leste da capital Trípoli; Centro de Detenção de Tajoura acolhe cerca de 600 migrantes.

A Missão das Nações Unidas na Líbia, Unsmil,  condenou com veemência um  ataque que esta terça-feira provocou pelo menos 44 mortes e mais de 130 feridos graves num complexo de detenção de migrantes em Tajoura.

Agências de notícias informaram que as autoridades reconhecidas pela comunidade internacional disseram que o local situado a leste da capital, Trípoli, foi alvo de um ataque aéreo. De acordo com os relatos, as forças antigovernamentais lideradas pelo general Khalifa Haftar acusam as forças do governo de ter realizado o ato.

Michelle Bachelet explicou que os fundos serão aplicados em atividades que apoiam a visão do secretário-geral
Michelle Bachelet disse que o ataque pode corresponder a um crime de guerra. Foto: ONU/ Laura Jarriel

Travessia

Avaliações preliminares apontam que a maior parte dos mortos são migrantes africanos que tentavam chegar à Europa atravessando o mar por vias clandestinas através da Líbia.

De acordo com a Missão das Nações Unidas na Líbia, esta é a segunda vez que a instalação com cerca de 600 migrantes foi atacada.

O representante especial do secretário-geral no país, Ghassan Salamé, chamou o ato de “covarde” acrescentando que “claramente, pode ser considerado um crime de guerra, por terem matado pessoas civis inocentes apanhadas de surpresa, cujas condições terríveis os forçaram a ficar naquele abrigo.”

A alta comissária dos Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse que o fato de ter sido comunicada as coordenadas desse centro de detenção e o conhecimento de que ele abrigava civis envolvidos no conflito indica que esse ataque pode, dependendo das circunstâncias precisas, corresponder a um crime de guerra.

Civis

O apelo é que as partes em conflito cumpram suas obrigações sob o Direito Internacional Humanitário e tomem todas as medidas possíveis para proteger civis e infraestrutura civil, incluindo escolas, hospitais e centros de detenção.

Bachelet destaca que os princípios da distinção, da proporcionalidade e da precaução devem, em todos os momentos, ser plenamente respeitados.

Ela ressaltou que as partes de um conflito são obrigadas a tomar todas as precauções possíveis para proteger a população civil sob seu controle contra os efeitos do ataque, inclusive evitando localizar objetivos militares próximos a objetivos civis.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, e a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur, consideram “terrível” o número de feridos e das vidas perdidas no ataque.

Migrantes num centro de detenção em Tripoli, na Líbia.
Unicef/Alessio Romenzi
Migrantes num centro de detenção em Tripoli, na Líbia.

Centros de detenção

As agências destacaram que vêm levantando preocupações repetidamente sobre a questão de pessoas em centros de detenção.

Em relação ao último ato de violência, a agência destaca que esse perigo foi alertado quando abordaram o retorno de migrantes e refugiados à Líbia, após serem interceptados ou resgatados no mar Mediterrâneo.

A mensagem destaca a condenação veementemente deste e de qualquer ataque à vida de civis e pede o fim imediato da detenção de migrantes e refugiados. O apelo das duas agências é que seja garantida a proteção dessas pessoas na Líbia.

Ataque a centro de migrantes na Líbia

Hospitais

Em nota separada, a Organização Mundial da Saúde, OMS, refere que bombardeios contínuos e confrontos armados prejudicam as equipes de ambulância em hospitais e áreas afetadas pela onda de violência que piorou em abril.

No último trimestre, pelo menos 910 pessoas morreram vítimas da violência somente em Trípoli. Especialistas da agência realizaram 58 cirurgias maiores e 150 menores mesmo com necessidades, desafios e lacunas na área de saúde.

Em muitos distritos falta combustível e várias agências do setor enfrentam intimidação de grupos armados estatais e não estatais durante sua ação para salvar vidas.

A OMS destaca que em três ocasiões diferentes o acesso dos parceiros foi bloqueado, o escritório de um dos parceiros foi invadido, revistado e saqueado e também foi preso um membro da equipe cirúrgica apoiando um hospital da linha de frente.