OMM: mês de junho foi o mais quente já registrado na Europa
BR

3 julho 2019

Continente teve temperatura média com 2°C acima do normal; OMM aponta que tais ondas de calor são consistentes com cenários climáticos que preveem eventos do tipo mais frequentes, prolongados e intensos.

Uma onda de calor extraordinariamente precoce e excepcionalmente intensa estabeleceu novos recordes de temperatura na Europa. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, OMM, a situação fez com que junho fosse o mês mais quente já registrado no continente, com a temperatura média 2°C acima do normal.

Segundo a agência da ONU, as altas temperaturas representam uma grande ameaça à saúde das pessoas, à agricultura e ao meio ambiente. Porém, relatórios iniciais teriam indicado que os alertas precoces limitaram com sucesso o número de mortos.

Ondas de Calor

A OMM aponta que tais ondas de calor são consistentes com cenários climáticos que preveem eventos de calor mais frequentes, prolongados e intensos, uma vez que as concentrações de gases de efeito estufa levam a um aumento nas temperaturas globais.

De acordo com um estudo publicado por cientistas da World Weather Attribution, "cada onda de calor que ocorre na Europa hoje é mais provável e mais intensa pela mudança climática induzida pelo homem."

O relatório destaca ainda que "as observações mostram um aumento muito grande na temperatura dessas ondas de calor”. Atualmente, “estima-se que esse tipo de evento ocorra com um período de retorno de 30 anos, mas que ondas de calor igualmente frequentes teriam sido cerca de 4ºC mais frias há um século.”

Segundo o estudo, “uma onda de calor intensa está ocorrendo pelo menos 10 vezes mais frequentemente hoje do que há um século".

Temperaturas

O Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo informou que os cinco dias de temperaturas excepcionalmente altas foram seguidos de dias com temperaturas recordes mais a leste na Europa.

Isso levou o mês como um todo a ficar em torno de 1°C acima do recorde anterior de junho, estabelecido em 1999, e cerca de 1°C acima do esperado nas últimas décadas.

A França registrou um novo recorde nacional de temperatura de 45,9 ° C em Gallargues-le-Montueux em 28 de junho e duas outras estações de observação também relataram temperaturas acima de 45°C. Essa teria sido a primeira vez no registro moderno de que esta temperatura foi ultrapassada.

A autoridade metereológica francesa,  Météo-France, anunciou  que "45,9°C é uma temperatura que você experimentaria em agosto em Furnace Creek, no Vale da Morte, na Califórnia, que detém o recorde como o lugar mais quente do mundo.

A OMM aponta que cerca de 13 estações de observação quebraram o recorde anterior de temperatura de 44,1°C, estabelecido durante a onda de calor de agosto de 2003. Muitas estações de observação superaram os recordes de todos os registros de temperatura máxima, ou recordes para o mês de junho.

Fora isso, os recordes de inúmeros registros de temperatura mínima durante a noite também foram quebrados. Um novo recorde de temperatura média nacional, incluindo diurno e noturno, de 27,9°C, foi estabelecido em 27 de junho.

A Espanha também relatou temperaturas generalizadas acima de 40 graus, de 27 a 30 de junho. Riscos de incêndio alto a extremo continuam no nordeste do país.

O serviço de meteorologia nacional da Alemanha, Deutscher Wetterdienst, disse que um novo recorde nacional de temperatura de junho de 39,6 ° C foi estabelecido em 30 de junho. A Áustria deverá ter seu mês de junho mais quente já registrado, com 4,5°C acima da média de longo prazo e à frente de 2003. 

Riscos

Temperaturas acima de 40°C foram registradas em alguns lugares no norte da África. Preocupações sérias foram levantadas sobre o bem-estar dos jogadores na atual Copa das Nações Africanas, no Egito, como consequência do calor extremo.

A onda de calor na Europa segue episódios extremos de calor na Austrália, na Índia, no Paquistão e em partes do Oriente Médio em 2019. A expectativa é de que o verão no Hemisfério Norte tenha mais episódios do tipo.

A OMM alerta que os eventos de calor matam milhares de pessoas todos os anos e frequentemente desencadeiam eventos secundários, como incêndios florestais e falhas nas redes elétricas.

 

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