Agência da ONU ajuda Moçambique a evitar doenças em animais após ciclones

3 julho 2019

Desastres naturais forçaram movimento de animais e abriram novos cursos de água que podem ajudar a espalhar doenças; risco para humanos é reduzido, mas impacto económico pode ser profundo.

A Agência Internacional da Energia Atómica, Aiea, anunciou que ajuda a combater surtos de doenças animais em Moçambique depois dos ciclones no início do ano. 

A agência da ONU enviou materiais para o país que podem ajudar a combater doenças como peste suína africana, febre aftosa ou febre do Vale do Rift, que ameaçam a saúde humana e animal.

Muitas comunidades foram completamente destruídas no distrito de Macomia, na província de Cabo Delgado, pelos efeitos do ciclone Kenneth em Moçambique, Ocha/Saviano Abreu

Resposta

O pedido de ajuda foi feito pelo Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar do país. A Aiea anunciou o envio de equipamentos de laboratório, técnicos especializados e centenas de reagentes necessários para realizar testes rápidos.

O país foi atingido por dois ciclones tropicais no início deste ano, resultando em inundações generalizadas nas terras agrícolas. O diretor-geral da Aiea, Yukiya Amano, disse que "além do trágico número de mortes humanas, mais de 300 mil animais foram mortos e outros 6 milhões foram expostos ao risco."

O especialista da Aiea e da Organização das Nações Unidas para Agricultura Alimentação, FAO, Hermann Unger, disse que "as pessoas tendem a afastar os animais das áreas de desastre, então eles se misturam mais e os surtos de doenças podem aumentar." Segundo o técnico, “quando se tem milhares de animais juntos, basta um único doente para começar uma epidemia."

Ajuda

A assistência ajudará os laboratórios a aplicar testes diagnósticos nucleares que permitem detectar doenças rapidamente e com grande precisão.

O diagnóstico precoce é crucial durante surtos, permitindo que agricultores e veterinários tomem medidas necessárias de controle e mitigação rapidamente, como campanhas de isolamento e vacinação.

O pacote de emergência foi enviado para o Laboratório Central de Veterinária, em Maputo, e para laboratórios nas cidades de Chimoio e Pemba, localizadas nas regiões centro e norte, que foram mais afetadas pelas cheias.

Riscos

A chefe do Laboratório Central de Veterinária de Moçambique, Sara Achá, disse que depois dos ciclones “ocorreram movimentos de animais e doenças como febre aftosa e peste suína africana que podem se espalhar para outras províncias."

Além disso, “doenças transmitidas pela água também podem ter encontrado novos caminhos para sua disseminação, de modo que o diagnóstico precoce e rápido pode ajudar a conter essa situação.”

A agência diz que o risco para a saúde humano “é leve, mas pode ser grave”. Quando ao impacto económico, “pode ser profundo devido à alta mortalidade e ao aborto entre animais infectados.”

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

FAO implementa iniciativa agrícola de mais de US$ 32 milhões em Moçambique

Produtores de Nampula e Zambézia devem melhorar qualidade das safras para chegar a mercados internacionais; Projeto Promove Agribiz deve beneficiar 60 mil agricultores com fundos da União Europeia.*Produtores de Nampula e Zambézia devem melhorar qualidade das safras para chegar a mercados internacionais; Projeto Promove Agribiz deve beneficiar 60 mil agricultores com fundos da União Europeia.*