Emergência humanitária no Sahel atinge nível sem precedentes
BR

29 junho 2019

Agências da ONU e Organizações Não Governamentais alertam que aumento de violência armada impulsionou deslocamento forçado e a emergência humanitária; no ano passado, cerca de 1 milhão de pessoas tiveram que fugir de suas casas.

No ano passado, cerca de 1 milhão de pessoas tiveram que fugir de suas casas na região do Sahel devido à insegurança e violência. No Burkina Faso, o deslocamento vindo do Mali e do Níger ocidental aumentou cinco vezes.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária, Ocha, a Bacia do Lago Chade está testemunhando um novo aumento nos deslocamentos e ataques. 

Alerta

O Ocha informa ainda que mais de 7 milhões de pessoas estão lutando contra a insegurança alimentar na região. A desnutrição está ameaçando a vida de 5 milhões de crianças e a educação foi atingida de forma significativa, com mais de 4 mil escolas fechadas ou não funcionais e 900 mil alunos afetados.

Nesta sexta-feira, agências da ONU e Organizações Não Governamentais, ONGs, fizeram um alerta sobre o aumento da violência armada no Sahel, que teria impulsionado um deslocamento forçado e emergência humanitária a níveis sem precedentes. Eles pediram por mais apoio e maiores esforços para lidar com as causas da crise na região.

Impacto

Para o diretor regional do Programa Mundial de Alimentos, PMA, Chris Nikoi, “o impacto da crise, em uma das regiões mais vulneráveis ​​do mundo, é dramático.” Ele apontou que “a extensão e a intensidade dos ataques deixaram comunidades sofrendo com devastação inenarrável.”

Nikoi destacou ainda que “milhões de pessoas ainda precisam se recuperar da crise alimentar e nutricional do ano passado” e que com a aproximação da época de escassez é preciso “fornecer ajuda rápida e sustentada para salvar vidas e evitar uma crise mais profunda.”

Violência

Segundo o Ocha, a violência está prejudicando os meios de subsistência e aprofundando o impacto de vulnerabilidades crônicas como a insegurança alimentar, desnutrição e epidemias. Comunidades estão sendo afetadas no Burkina Faso, no extremo norte dos Camarões, no Chade, no Mali, no Níger e no nordeste da Nigéria.

A representante regional da Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, para a África Ocidental, explicou que “com a violência armada vem a destituição e a privação.” Liz Ahua disse que é preciso defender “a dignidade das pessoas afetadas por conflitos e garantir sua proteção contra ameaças, exploração e abuso.”

Investimentos

Para Ahua, “além da resposta humanitária, o Sahel precisa de apoio para atacar as causas profundas das crises recorrentes que assolam a região.” Ela acredita que “crucialmente, o Sahel precisa de investimentos mais robustos em serviços públicos, infraestrutura e desenvolvimento econômico para trazer soluções duradouras para todas as pessoas.”

O Ocha destaca que, embora o conflito e seu impacto devastador tenham atormentado o Sahel por muitos anos, a insegurança nunca afetou tantas pessoas e se espalhou tão rápido, em áreas tão vastas. O risco de extravasamento para além do Sahel e para os países costeiros também estaria crescendo.

A comunidade humanitária solicitou US$2,4 bilhões para ajudar 15,3 milhões de pessoas no Sahel este ano. Em junho, menos de um quarto dos recursos haviam sido recebidos.

 

 

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