Aruanas: nova série usa ficção para chamar a atenção para mudança climática e importância da preservação da Amazônia BR

Para representante do Programa da ONU para o Meio Ambiente “associação entre meio ambiente e entretenimento é uma das mais felizes”; ONU News acompanhou visita de uma parte da equipe da série à sede das Nações Unidas em Nova Iorque.
Quatro mulheres e a luta delas para proteger a floresta e as terras indígenas da devastação provocada pela mineração ilegal e pela corrupção. Esse é o enredo da nova série de suspense ambiental produzida pela TV Globo e coproduzida pela Maria Farinha Filmes.
A Aruanas terá 10 episódios de 45 minutos de duração e a primeira temporada acontece na floresta amazônica. Entre os temas explorados pela série estão crimes baseados em eventos reais, como a mineração ilegal.
Uma parte da equipe da produção foi recebida nas Nações Unidas em Nova Iorque pela presidente da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa. Depois da reunião, a ONU News conversou com o grupo.
A coprodutora Ana Lúcia Villela, falou que a inspiração para a série veio da preocupação com a mudança climática e a floresta amazônica.
“A floresta amazônica é o grande pulmão do mundo, todo mundo sabe disso, e o nosso receio é de o mundo e nós, brasileiros, não estarmos conseguindo cuidar dessa floresta, desse pulmão na devida forma.”
A diretora e coautora Estela Renner explicou que a série se baseia na história de três amigas de infância que quando adultas, resolvem abrir uma ONG para proteger o meio ambiente.
“Do mesmo jeito que a gente sempre viu séries incríveis que se passam nos hospitais, escritórios de advocacia, delegacia de polícia, a gente resolveu fazer a nossa série se passando dentro de uma ONG ambiental.”
Uma das protagonistas é a atriz Taís Araújo, que também esteve no encontro com Espinosa.
“A minha personagem na série chama Verônica, ela é uma advogada, e ela faz uma coisa chamada advocacy, que é um lobby, que a gente chama que é o lobby do bem, que ela trabalha para uma causa, não para o mercado.”
A série apoia a Iniciativa de Defensores Ambientais, liderada pela ONU Meio Ambiente, que busca promover o respeito aos direitos ambientais e ampliar a proteção de defensores do meio ambiente.
Taís Araújo explicou que o objetivo da série é usar a ficção para atingir e tocar o maior número possível de pessoas.
“É conseguir que as pessoas se conscientizem e que ajam também. E que virem junto com as quatro Aruanas sentinelas da natureza. E nada tem a ver com falta de progresso, a gente quer um progresso também, mas a gente quer um progresso consciente para que essa terra dure também de uma maneira completamente sustentável e próspera para todos nós e para quem vem depois da gente.”
Em conversa com a ONU News, de Brasília, a representante no Brasil do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, disse que este tipo de parceria é essencial, principalmente em tempos de mídias sociais. Denise Hamú explicou que atualmente cerca de 2 bilhões de pessoas fazem buscas na internet pela palavra sustentabilidade e que o uso do entretenimento é essencial para atingir esse público.
“A associação entre meio ambiente e entretenimento é uma das mais felizes. Mesmo porque, toda a vez que a gente vai falar em meio ambiente, a palavra problema está associada a ela, a gente sempre é o problema ambiental, a questão ambiental, então, já começamos antes de falar qualquer coisa nos colocando como algo que não favorece. Então, eu acredito que essa associação entre o entretenimento com os nossos assuntos ela é essencial para desmitificar essa distância das questões ambientais, as questões intangíveis do meio ambiente.”
Para Hamú, a principal mensagem nesse tipo de divulgação é de que todos podem fazer a diferença.
“Porque normalmente a gente espera que os governos, que os organismos internacionais, que o outro resolva os problemas da sociedade, da sua escola, do seu bairro, do seu governo, do seu país, e que a gente espera que as pessoas se sintam tanto parte do problema quanto da solução. Então, na verdade, o que a gente precisa é promover um chamado global dizendo que todos precisam ser parte da solução para que a gente possa realmente viver num mundo sustentável, num mundo mais justo, onde os recursos naturais sejam conservados e preservados para gerações presentes e as gerações futuras.”
Durante o encontro com a presidente da Assembleia Geral, um dos temas falados também foi o uso do plástico e de como a sede da ONU em Nova Iorque é agora livre do plástico descartável.
Para Taís Araújo, essa ação em direção à mudança é o caminho a ser percorrido.
“Eu acho genial e uma coisa que ela falou é que como é uma das pautas dela, é claro, se ela é presidente da Assembleia não tem como ela defender se a casa continua fazendo uso. Então, por mais que seja mais difícil, que tenham burocracias e tal, ela conseguir implementar isso. E é justamente sobre isso que a gente está falando, não basta conscientizar, você tem que agir.”
A nova produção será lançada em 150 países por meio de uma plataforma de distribuição independente através do Vimeo, que permitirá que qualquer pessoa compre a série.
O lançamento será no dia 2 de julho e a produção será legendada em onze idiomas: inglês, espanhol, francês, italiano, alemão, holandês, russo, árabe, hindi, turco e coreano.