Conselho de Segurança pede “contenção máxima” na região do Golfo
BR

25 junho 2019

Encontro a portas fechadas discutiu incidentes envolvendo Estados Unidos e Irã; secretário-geral da ONU pediu “nervos de aço” aos envolvidos; Estados-membros do Conselho dizem que ataques a navios petroleiros ameaçam paz e segurança.

Os Estados-membros do Conselho de Segurança condenaram os ataques a petroleiros no Golfo, dizendo que representam uma “ameaça séria à navegação marítima e ao fornecimento de energia”, além de serem uma ameaça à paz e segurança internacionais.

A declaração informal foi lida pelo embaixador do Kuwait junto à ONU, Mansour Al-Otaibi. O pronunciamento do país, que detém a presidência do Conselho em junho, ocorreu no final de um encontro dos 15 Estados-membros a portas fechadas na segunda-feira.

Falando a jornalistas na sede da ONU, o embaixador do Irã nas Nações Unidas, Majid Takht Ravanchi, disse que pediu para participar da reunião a portas fechadas, mas a solicitação foi recusada. Foto: ONU/Loey Felipe

Tensão

O representante disse que “os membros do Conselho apelam para as partes interessadas e todos os países da região que exerçam o máximo de contenção e tomem medidas e ações para reduzir a escalada e acabar com a tensão.”

A declaração pedia ainda que as diferenças entre as várias partes fossem resolvidas “pacificamente e através do diálogo”.

Secretário-geral

Horas antes da reunião, o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, disse que o secretário-geral “deixou claras suas preocupações, tanto sobre os recentes incidentes quanto a retórica de várias partes.”

Segundo o porta-voz, António Guterres “deixou claro que seria uma catástrofe ter uma escalada de tensõesna região do Golfo”.

O chefe da ONU "pediu a todos os lados que mostrem nervos de aço” e essa continua sendo sua posição, ao mesmo tempo que pede “medidas para evitar qualquer tipo de provocação."

Encontro

Falando a jornalistas na sede da ONU, o embaixador do Irã nas Nações Unidas pediu que o secretário-geral "desempenhe um papel" no diálogo entre os países. Segundo Majid Takht Ravanchi, há uma necessidade de um "diálogo regional genuíno" para enfrentar as crescentes tensões.

O embaixador disse que pediu para participar da reunião a portas fechadas, mas a solicitação foi recusada.  O diplomata culpou os Estados Unidos por essa decisão e disse que o Irã não queria "nem guerra, nem uma escalada de tensão" na região.

Embaixador interino dos EUA, Jonathan Cohen, disse a jornalistas estar claro para país e para o mundo que “o Irã é responsável pelos ataques contra navios petroleiros no Golfo Pérsico.”. Foto: OMI

Incidentes

Autoridades dos Estados Unidos disseram que o Irã foi responsável por dois diferentes incidentes nas últimas semanas, em torno do Estreito de Ormuz e do Golfo de Omã, envolvendo seis petroleiros. O Irã negou qualquer envolvimento.

Na semana passada, um avião não-tripulado americano foi abatido pelos militares iranianos. Os Estados Unidos disseram que o veículo americano estava sob águas internacionais, mas o embaixador do Irã repetiu a afirmação de que o drone havia violado o espaço aéreo iraniano.

Após o encontro, o embaixador interino dos EUA, Jonathan Cohen, disse a jornalistas estar claro para país e para o mundo que “o Irã é responsável pelos ataques de 12 de maio e 13 de junho contra navios no Golfo Pérsico.”

Segundo o diplomata norte-americano, “tais ataques representam uma séria ameaça à liberdade de navegação e comércio em um dos canais mais importantes do mundo.”

Cohen afirmou que “o Irã deve entender que esses ataques são inaceitáveis” e que “é hora de o mundo se juntar” aos Estados Unidos dizendo isso. Segundo ele, a política norte-americana “continuará sendo um esforço econômico e diplomático para trazer o Irã de volta à mesa de negociações.”

 

 

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