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OMS alerta para "lacuna crítica de financiamento" no combate ao ébola na RD Congo

Voluntários da Cruz Vermelha, trajando roupas de proteção contra materiais perigosos, desinfetam uma rua em Beni, na República Democrática do Congo, durante um surto de Ebola em 2019.
Finnish Red Cross/Maria Santto Segundo os últimos números da OMS, a 18 de junho, estavam confirmados 2.096 casos. 1376 pessoas perderam a vida.

OMS alerta para "lacuna crítica de financiamento" no combate ao ébola na RD Congo

Saúde

Necessários mais US$ 54 milhões para garantir resposta adequada ao atual surto; diretor-geral da agência avaliou necessidades em visita ao país; 2.190 casos confirmados, 1.376 pessoas perderam a vida.

A Organização Mundial de Saúde, OMS, está preocupada com a falta de recursos e de cooperação política no combate ao surto de ébola na República Democrática do Congo, RD Congo.

Em declarações aos Estados-membros em Genebra, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, afirmou que o surto da doença “só terminará com a cooperação política bipartidária e o envolvimento da comunidade.”

Avaliação

Um funcionário da Cruz Vermelha no Uganda usa um scanner térmico para verificar a temperatura de uma mulher em um posto de controle na fronteira com a República Democrática do Congo.
Segundo a OMS, as atuais necessidades de financiamento da agência ascendem aos US$ 98 milhões.
OMS/ Matt Taylor

O representante visitou recentemente o país onde fez uma avaliação da situação. Tedros alertou para “a grave lacuna de financiamento” para responder às necessidades.

Segundo os últimos números da OMS, a 18 de junho, estavam confirmados 2.096 casos. 1376 pessoas perderam a vida.

O chefe da OMS considera que “a cooperação política deve ultrapassar fronteiras partidárias, lembrando ainda aos países que têm a responsabilidade global de apoiar os profissionais de saúde, tanto da RD Congo, como de África e de todo o mundo, que trabalham para salvar vidas.”

Financiamento

Segundo a OMS, as atuais necessidades de financiamento da agência ascendem aos US$ 98 milhões. Até agora foram recebidos apenas US$ 44, deixando uma lacuna de US$ 54 milhões.

O déficit de financiamento é imediato e crítico porque se os fundos não forem recebidos, a OMS não poderá sustentar as operações em curso.  A agência destaca ainda que outros parceiros humanitários também enfrentam dificuldades financeiras, que já obrigaram a reduzir ou interromper as operações.

Durante a sua mais recente visita à RD Congo, Tedros reuniu-se com o primeiro-ministro, Sylvester Ilunga Ilunkamba, e os representantes da oposição, bem como líderes religiosos e parceiros em Kinshasa.

Reuniões

O responsável teve também encontros em Butembo, um dos principais focos do surto, com líderes comunitários, religiosos, empresariais e parceiros, incluindo organizações não-governamentais e outras agências da ONU.

O diretor-geral informou que “se reuniu com muitos líderes de todos os setores da sociedade” e que “todos concordaram ter um papel a desempenhar para ajudar as pessoas a entender a gravidade desta doença.”

Uma das necessidades mais prementes é o melhor uso da vacina contra o ébola, uma ferramenta muito eficaz se fornecida a todas as pessoas que estiveram em contato com as pessoas infetadas.

Por isso, a OMS garantiu que a vacinação tem sido reforçada e disponibilizada a mais pessoas, incluindo mulheres grávidas e lactantes, e crianças com mais de seis meses.