Refugiados relatam sonhos e histórias de vida em Moçambique

20 junho 2019

País acolhe cerca de 28 mil refugiados; mais de dois terços vivem em centros urbanos; representante do Acnur diz que várias pessoas em busca de refúgio encontram a paz e reconstroem as suas vidas em território moçambicano.*

O Dia Mundial do Refugiado é celebrado este 20 de junho sob o lema “Dê um passo com os refugiados”. A campanha global pretende encorajar as pessoas “a caminhar, percorrer quilómetros, milhas pela causa daqueles que buscam abrigo fora dos seus países de origem, segundo a Agência da ONU para Refugiados, Acnur.

Na capital moçambicana, Maputo, a ONU News ouviu relatos de pessoas que foram acolhidas no país. O burundês Phisible Ininahazwe, de 26 anos, chegou acompanhado dos pais com apenas cinco anos e menciona limitações do seu estatuto.

O somali Mohamed Abdul Farha, 46 anos, vive em Moçambique desde 1995 onde diz não haver problemas de acolhimento. Foto: Ouri Pota

Documentação

“Ser refugiado tem algumas desvantagens. Por exemplo, já fui chamado numa empresa para trabalhar. Quando lá cheguei fiz a entrevista e fui aprovado, mas depois não pude continuar com trabalho por causa da minha documentação. Isso é uma desvantagem para mim. Para mim, em Moçambique posso dizer que é meu país, não conheço meu país natal, aprendi tudo aqui, praticamente sou moçambicano. Eu amo tudo aqui.”

Já o somali Mohamed Abdul Farha, 46 anos, vive em Moçambique desde 1995 onde diz não haver problemas de acolhimento.

“Fugimos da guerra e viemos para Moçambique. O governo e o Acnur acolheram-nos e deram-nos documentos. Tenho uma loja de produtos e um camião. Eu casei aqui, minha mulher é moçambicana, tenho três filhos com ela. Graças a Deus vivemos bem, não há nenhum problema.”

Apesar das dificuldades da vida, Phisible é um dos exemplos de jovens que ultrapassaram obstáculos em Moçambique. Ele é licenciado em engenharia informática e teve apoio do programa de bolsas de estudos superiores do Acnur.

Faculdade

“Com ajuda desta bolsa pude realizar os meus sonhos. Sozinho não iria conseguir. Com a ajuda do meu pai, não sei se iria conseguir terminar a minha faculdade. Graças a Deus, com ajuda da bolsa conseguimos alcançar os nossos sonhos. Agora, o meu sonho é trabalhar na minha área de formação e mas adiante puder fazer o mestrado.”

A bolsa de estudos conhecida por Dafi apoia estudantes universitários em instituições públicas e privadas que vivem na província moçambicana de Nampula e na cidade de Maputo.

Para o representante do Acnur, Hans Lunshof, Moçambique possui um número reduzido de refugiados quando comparado com outros países da região. 

Estatuto

“Em Moçambique temos menos de 28 mil refugiados e requerentes de asilo. Uma em cada mil pessoas, tem estatuto de requerente ou refugiado. Isso é muito menos que outros países da África e também a nível global. Mais de dois terços estão a viver nos centros urbanos, estão a viver ao lado dos moçambicanos e a fazer as suas vidas.”

O Acnur elogia o governo de Moçambique por permitir que um refugiado goze  dos direitos como educação, livre circulação e trabalho.

“Felizmente estes refugiados e requerentes encontram aqui paz e locais onde podem fazer as vidas. Isto encaixa-se perfeitamente na nova abordagem do alto comissário do Pacto Global para os Refugiados, que promove a ideia de que os refugiados têm de continuar as suas vidas, tomar conta de si próprios e das suas famílias, e não ser dependentes por anos da ajuda humanitária ou de parceiros internacionais.”

O governo moçambicano trabalha em coordenação com Acnur com vista a alargar oportunidades de emprego e de negócios para refugiados, o acesso à educação e a liberdade de circulação.

*De Maputo para ONU News, Ouri Pota.

 

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