OIM lamenta desaparecimento de mais de 80 venezuelanos em naufrágios no mar do Caribe BR

Para a OIM, essas rotas irregulares e serviços prestados por contrabandistas colocam os venezuelanos em situações de vulnerabilidade adicional.
Foto: Acnur/Santiago Escobar-Jarami
Para a OIM, essas rotas irregulares e serviços prestados por contrabandistas colocam os venezuelanos em situações de vulnerabilidade adicional.

OIM lamenta desaparecimento de mais de 80 venezuelanos em naufrágios no mar do Caribe

Migrantes e refugiados

Relatos da mídia confirmados por autoridades da Venezuela indicam a ocorrência de três incidentes nos últimos dois meses; de acordo com depoimentos de sobreviventes e parentes dos venezuelanos desaparecidos, viagens são organizadas por contrabandistas.

Mais de 80 venezuelanos morreram ou desapareceram no mar do Caribe nos últimos dois meses em três naufrágios relatados por agências de notícias. Os incidentes também foram confirmados pelas autoridades venezuelanas.

O primeiro barco teria virado em 23 de abril e o segundo em 16 de maio. Ambos estavam indo em direção a Trinidad e Tobago.

Desastres

A estimativa é de que entre 51 a 67 refugiados e migrantes tenham desaparecido nesses desastres.

O terceiro barco, que tinha como destino Curaçao, desapareceu no dia 8 de junho. Pelo menos 21 venezuelanos ainda não foram encontrados, com perdas totais aumentando possivelmente para 32.

Testemunhas

De acordo com depoimentos de sobreviventes e parentes, essas viagens são organizadas por contrabandistas. Os criminosos aproveitam a busca desesperada dos venezuelanos por melhores condições de vida para vender essas viagens em embarcações sobrecarregadas, inadequadas para o transporte de passageiros em mar aberto.

O diretor regional da Organização Internacional para Migrações, OIM, para América Central, América do Norte e Caribe, Marcelo Pisani, disse que “a OIM lamenta profundamente as mortes e desaparecimentos de tantos cidadãos venezuelanos.” Para ele, “esses incidentes lamentáveis destacam as medidas desesperadas que os venezuelanos estão dispostos a tomar para alcançar seus destinos, até mesmo arriscando suas vidas nas mãos de contrabandistas.”

O número de refugiados e migrantes da #Venezuela chega a quatro milhões.

A nível global, os venezuelanos já são um dos maiores grupos populacionais deslocados de seu país. pic.twitter.com/cO89oufE7a

— OIM Brasil (@OIMBrasil) June 13, 2019

Reposta

A embarcação mais recente que afundou havia partido clandestinamente da cidade de Aguide, que fica no estado de Falcón, na Venezuela.

Segundo Pisani, “considerando que as redes de contrabando operam em áreas transfronteiriças, se torna necessário que todos trabalhem de forma coordenada.” Ele acredita que “a cooperação entre países se torna essencial para o fornecimento de uma resposta abrangente.”

Para a OIM, essas rotas irregulares e serviços prestados por contrabandistas colocam os venezuelanos em situações de vulnerabilidade adicional, na qual podem se tornar vítimas de todos os tipos de abuso e exploração. Eles pagam altos preços sem garantia de segurança ou chegada ao destino.

Em muitos casos, as viagens são feitas em barcos que ultrapassam sua capacidade de transporte, o que os torna susceptíveis de virar.

Caribe

Pisani acrescentou que “hoje, mais do que nunca, há necessidade de uma perspectiva regional para combater o contrabando no caso do fluxo venezuelano.” Ele apontou que “isso está muito bem refletido também no aumento significativo dos fluxos migratórios em todo o Caribe.”

Dados de agências da ONU indicam que mais de 4 milhões de refugiados e migrantes venezuelanos deixaram seu país desde 2015. Mais de 110 mil deles estão vivendo no Caribe.

Projeto de migrantes desaparecidos

O ano de 2019 é o sexto nos esforços da OIM para registrar sistematicamente as mortes nas rotas de migração em todo o mundo através do Projeto de Migrantes Desaparecidos. Desde o início de 2014, o projeto registrou a morte de 32,046 mil pessoas, incluindo 1,089 mil somente em 2019.

Segundo a agência da ONU, devido aos desafios de coletar informações sobre essas pessoas e os contextos de suas mortes, o número real de vidas perdidas durante a migração é provavelmente muito maior.