Brasileira que ganhou prêmio da ONU treinará integrantes de tropas internacionais
BR

17 junho 2019

Ex-boina azul foi reconhecida por promover igualdade de gênero em missões de paz das Nações Unidas; com a experiência, ela percorre o mundo em eventos dentro e fora da organização.

Após ter sido boina-azul durante um ano na República Centro-Africana, a brasileira Márcia Andrade Braga revelou à ONU News que passará a treinar militares que vão servir em fileiras internacionais para manter a paz e segurança mundiais.

A carreira da capitão de corveta da Marinha teve uma virada em abril, quando ela encerrou sua missão nas tropas de paz. Ela foi condecorada em Nova Iorque por promover a igualdade de gênero em operações de paz das Nações Unidas. Essa experiência motivou o novo percurso.

Entrevista com a capitão de corveta da Marinha do Brasil, Márcia Braga. Foto: Reprodução/ONU News

“As pessoas não entendem quais as violações que nós temos lá. Com a vulnerabilidade das pessoas. Então, o que eu puder ajudar agora nessa fase que eu estou fora da missão, eu gostaria de continuar ajudando justamente nesse sentido de mostrar como as coisas acontecem e poder contribuir para que cada vez mais a gente consiga ter um pouco de paz. Porque na realidade o que as pessoas querem lá é continuar com as suas vidas. Então, os meus planos, é justamente continuar nessa área no Brasil. Eu vou trabalhar com a parte de treinamento para militares que serão empregados em missões de paz. Então, o objetivo é justamente esse. Aumentar essa conscientização, principalmente empregada para a proteção de civis, empregando a perspectiva de gênero.”

Reconhecimento

Márcia Andrade Braga revela que houve mudanças em sua vida após receber o reconhecimento internacional. Com a experiência na África, ela agora percorre o mundo e é solicitada para eventos dentro e fora das Nações Unidas.

“Participei também de um evento aqui em Nova Iorque, há duas semanas atrás. Foi justamente quando houve a comemoração dos 20 anos do primeiro mandato voltado para proteção de civis. Aí eu também falei sobre a minha experiência na Minusca, voltada para proteção de civis. Fiz também algumas palestras, para o Ministério da Defesa e o Comando de Operações Navais, porque eu sou da Marinha. Participei de um evento agora, segunda-feira, aqui para uma organização para o desenvolvimento sustentável. E o que eu achei mais interessante, com essa repercussão, foi poder divulgar o trabalho, mostrar a importância do trabalho da ONU para as comunidades ali que passam por dificuldades.”

Foto ONU/Cia Pak
Secretário-geral entrega prêmio à militar brasileira Márcia Andrade Braga

Perspectivas de Gênero

As Nações Unidas revelaram que Márcia mereceu o prêmio pelo trabalho como assessora de gênero. No ano em que exerceu sua função, ela implementou estratégias para identificar e prevenir riscos de violência contra as mulheres.

O sonho é que mais mulheres estejam no terreno porque, segundo ela, fazem a diferença na comunicação com as populações locais de forma mais humanizada e influenciadora numa situação de complexidade, como a da República Centro-Africana.

“Então é um país que tem vários grupos armados, então a gente tem várias violações. Muitas vezes o problema não fica entre eles, mas a população que acaba sendo alvo. Então assim a nossa missão mesmo lá, de quem está lá trabalhando, é justamente se preocupar em prevenir as violações e proteger os civis. Daí vir essa ideia da perspectiva de gênero para proteção de civis que, por exemplo, eu começo a ter um entendimento de como o conflito afeta cada um dos grupos. Então eu tenho homens, mulheres, meninos e meninas, então, eu não vejo com um grupo homogêneo, mas eu começo a atender a rotina de cada um deles, e cada área que é mais sensível para cada um deles, onde as violações ocorrem.”

Acordo de Paz

Os combates na República Centro-Africana chegaram a envolver dezenas de grupos de milícias. Tudo começou em 2012, com confrontos entre a milícia anti-Balaka, principalmente formada por cristãos, e os rebeldes Séléka de maioria muçulmana.

Em fevereiro de 2019, o governo centro-africano assinou um acordo com essas várias milícias para estabilizar o país que teve milhares de civis mortos e deslocados. Duas em cada três pessoas dependem agora de ajuda humanitária.

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