“Há necessidade de mudar a maneira como a gente lida com o nosso planeta”

17 junho 2019

Afirmação é da diretora do Escritório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação em Nova Iorque; Carla Mucavi falou à ONU News sobre impacto das mudanças climáticas na desertificação, na segurança alimentar e nas migrações.

A diretora do escritório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, FAO, em Nova Iorque disse que “há necessidade de mudar a maneira como a gente lida com o nosso planeta.”

Em entrevista à ONU News, Carla Mucavi afirmou que esta mudança é essencial para alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Consequências

A diretora do escritório da FAO, em Nova Iorque, Carla Mucavi, defende que os governos devem ampliar esforços para ajudar a erradicar a fome,  Foto FAO

“Esta é uma questão essencial. Temos visto que as mudanças climáticas são causadas pela forma como lidamos com a natureza. Temos de valorizar as culturas tradicionais, que são favoráveis ao contexto ambiental, a questão do uso excessivo dos fertilizantes, que também degrada os solos, integrar técnicas que são mais sustentáveis, olhando de uma forma holística para a própria agroecologia. Estas são algumas das iniciativas e medidas que a FAO tem tido em conta, um trabalho muito ao lado das comunidades e das populações porque elas são de fato os agentes da mudança.”

A representante também destacou o problema da desertificação. Segundo a ONU, o mundo perde 24 bilhões de toneladas de solo fértil todos os anos e a degradação dos solos reduz o Produto Interno Bruto, PIB, nos países em desenvolvimento em até 8% ao ano.

Causas

A desertificação é causada principalmente por atividades humanas e variações climáticas. Pobreza, instabilidade política, desmatamento, pastoreio excessivo e más práticas de irrigação podem prejudicar a produtividade.

Carla Mucavi disse que “desertificação e a degradação de solos é um grande desafio para o alcance da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”. Segundo a especialista, “este é um problema sério” e é preciso “lidar com ele de forma responsável.”

“Temos verificado, por causa das mudanças climáticas, que há maior intensificação das cheias, das secas e cada vez mais pestes, que praticamente destroem as culturas alimentares. Quando os solos se degradam, as populações que trabalham esses solos são muitas vezes forçadas a emigrar à procura de solos mais férteis e isso remete-os, grande parte deles, à pobreza e a uma situação de insegurança alimentar.”

Segundo as Nações Unidas, até 2025, 1,8 bilhão de pessoas sofrerão com escassez absoluta de água, e dois terços do mundo viverão sob condições de estresse hídrico.

O setor de uso da terra representa quase 25% do total de emissões globais. A sua reabilitação e gestão sustentável é fundamental para combater as alterações climáticas.

 

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