Brasil: acessibilidade é o maior desafio para pessoas com deficiência
BR

13 junho 2019

Na ONU, Ministra Damares Alves troca experiências com vários Estados-membros em Nova Iorque; país aguarda primeiros cartões bancários em sistema de leitura com o tato para pessoas com deficiência visual.

A ministra da mulher, da Família e dos Direitos Humanos no Brasil, Damares Alves, participa de eventos na 12ª Sessão da Conferência dos Estados-Partes da Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiência nas Nações Unidas.

Falando à ONU News, em Nova Iorque, a representante disse que seu país caminha para a inclusão deste grupo. Após discursar no encontro, Damares Alves contou que retorna motivada para o Brasil após partilhar o que foi feito sobre a questão das pessoas com deficiência.

Ministra discursou em evento na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Foto: ONU/Rick Bajornas

Cartões em Braille 

A ministra disse que têm havido avanços no Congresso Nacional, como por exemplo a regularização da Lei Brasileira da Inclusão que deve ser concluída ainda em 2019.

“Esta semana sancionamos mais duas leis no Brasil. A primeira, é que as pessoas com deficiência visual poderão, agora, ter cartões bancários, de crédito e débito, com braile. Isso é um grande avanço. Estamos muito ansiosos e a espera que saiam os primeiros lotes para a gente comemorar, celebrar com as pessoas com deficiência visual. A segunda lei, também importante sancionada esta semana é que na ocorrência da violência doméstica, contra a mulher, colocar no papel se ela é uma pessoa com deficiência. Até então, se colocava lá que era mulher, mas não dizia se ele tinha deficiência ou não. Isso vai nos dar números. Nós vamos saber agora qual é o universo real de mulheres com deficiência vítimas de violência doméstica.”

Quanto à importância da inclusão da pessoa com deficiência no esporte, Damares Alves disse que apesar de vários campeões nas paraolimpíadas serem brasileiros, o país precisa investir.

A ministra contou que as autoridades já dispõem de recursos reservados para investir em atletas paralímpicos, que vêm se destacando pelo mundo.

“Não só um, mas muitos. O esporte para a categoria tem crescido muito, mas precisamos investir.  Nós acreditamos que esse é um caminho, esse é um canal de inclusão. É um canal inclusive da pessoa com deficiência ter autonomia e independência financeiras por meio do esporte.”

Outra preocupação é com casos de malformação congênita em crianças por razões que incluem o vírus da zika.

“Nós tivemos ali um surto de Zika e muitas crianças nasceram com microcefalia. Mais do que as que estão vivas (o desafio) é o acolhimento das que já estão sendo geradas.”

Em relação aos direitos globais das pessoas com deficiência, a ministra brasileira disse que os países partilham dos desafios da acessibilidade, da inclusão, do respeito e da proteção das pessoas com deficiência.

Experiências

Damares Alves disse ter chegado à conclusão de que há muito por avançar nessa área, após a troca de experiências com vários Estados-membros da ONU. 

No Brasil as várias facetas do direito das pessoas com deficiência incluem o direito à vida, de acesso à inclusão na educação e de acesso ao mercado de trabalho. No país, mais de mil pessoas são assassinadas por ano por questões culturais.

 

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