ONU marca dia internacional com apelo ao combate à discriminação de pessoas com albinismo

13 junho 2019

Maior prevalência da condição ocorre na África Subsaariana; região teve cerca de 700 casos de ataques e assassinatos de pessoas com albinismo desde 2010;  ONU vê direitos de pessoas com albinismo comprometidos devido aos obstáculos e desafios.

Esta quinta-feira, 13 de junho, é marcado o Dia Internacional para Aumentar a Consciência sobre o Albinismo.  A  condição ainda é profundamente mal-entendida, social e medicamente, de acordo com as Nações Unidas.

A aparência física dos albinos é frequentemente objeto de crenças e mitos erróneos, influenciados pela superstição, o que promove a sua marginalização e exclusão social. Esta realidade resulta em várias formas de estigma e discriminação.

A falta de melanina faz com que os albinos sejam muito suscetíveis de desenvolver cancro de pele.​​​​​​​Unicef/ Frank Dejongh

Risco

Em algumas comunidades, crenças e mitos, fortemente influenciados pela superstição, colocam a segurança e a vida dos albinos em constante risco.

A ONU destaca que essas crenças e mitos têm séculos e estão presentes em atitudes e práticas culturais em todo o mundo.

O tema deste ano é "Still Standing Strong", ou “Ainda em pé e fortes” em tradução livre. Esse apelo pretende reconhecer, celebrar e apoiar esta causa.

As pessoas com albinismo  continuam a enfrentar obstáculos e desafios em curso que comprometem seriamente o pleno gozo dos direitos humanos.

Tema

Do estigma e discriminação, às barreiras na saúde e educação, os albinos continuam invisíveis nas arenas sociais e políticas.

Além disso, em vários países eles estão sujeitos a ataques hediondos e assassinatos.

Albinismo

O albinismo é uma diferença rara, não contagiosa e herdada geneticamente. Em quase todos os tipos de albinismo, ambos os pais devem ser portadores do gene para que seja transmitido, mesmo que não tenham albinismo.

A condição é encontrada em ambos os sexos, independentemente da etnia e em todos os países do mundo. O albinismo resulta na falta de pigmentação, melanina, nos cabelos, pele e olhos. Como resultado, quase todas as pessoas com albinismo vivem com deficiências visuais e tendem a desenvolver cancro de pele.

Não há cura para a ausência de melanina que é central para o albinismo.

Segundo a ONU, estima-se que na América do Norte e na Europa uma em cada 17 mil a 20 mil pessoas tenha algum tipo de albinismo.

A condição é muito mais prevalente na África Subsaariana, com estimativas de uma em 1,4 mil pessoas.

A condição é muito mais prevalente na África Subsaariana, com estimativas de 1 em 1.400 pessoas. , by Unicef/ Julio Dengucho

Desafios

A falta de melanina faz com que os albinos sejam muito suscetíveis de desenvolver cancro de pele. Em alguns países, a maioria destas com esta doença entre 30 e 40 anos de idade.

No entanto, o cancro de pele é altamente evitável quando as pessoas com albinismo têm acesso a serviços de saúde, incluindo acesso a exames regulares, protetor solar, óculos de sol e roupas de proteção solar.

Em muitos países, estes meios não estão disponíveis ou são inacessíveis a etsas pessoas.

Devido à falta de melanina na pele e nos olhos, as pessoas com albinismo também enfrentam discriminação devido à sua cor de pele, como tal, elas são frequentemente vítimas de discriminação.

Os números sobre violações contra pessoas com albinismo mostram que, desde 2010, houve cerca de 700 casos de ataques e assassinatos de indivíduos com a condição em 28 países da África Subsaariana.

Os ataques têm várias causas profundas, incluindo a ignorância, o estigma de longa data, a pobreza e práticas prejudiciais que emanam da manifestação de crenças na feitiçaria.

Mandato

Em 2014, a Assembleia Geral aprovou 13 de junho como Dia Internacional de Consciencialização sobre o Albinismo, um ano depois do Conselho de Direitos Humanos ter adotado uma resolução para prevenir ataques e discriminação contra pessoas com albinismo.

Em 2016, a especialista independente das Nações Unidas para os Direitos Humanos das pessoas com albinismo, Ikponwosa Ero, apresentou o primeiro relatório sobre a questão.

 

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