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Bachelet alerta sobre impacto da lei de amnistia e falta de compensações a vítimas na Nicarágua

Manifestantes na Nicarágua seguram uma placa durante um protesto. A placa diz "ERAN ESTUDIANTES NO ERAN DELINCUENTES" e exibe os logotipos das universidades UNAN, UCA e UPOLI.
Artículo 66 Nova legislação eleitoral restringe os direitos humanos especialmente o de integrantes de organizações da sociedade civil, defensores, ativistas, jornalistas e líderes sociais e políticos

Bachelet alerta sobre impacto da lei de amnistia e falta de compensações a vítimas na Nicarágua

Direitos humanos

Alta comissária considera que diploma impede julgamento de pessoas que terão violado direitos humanos; lei pode amnistiar cidadãos pró-governo; governo “tem o dever de garantir responsabilidade e justiça para as vítimas.”

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, expressou preocupação sobre a possível adoção na Nicarágua de uma ampla lei de amnistia.

O diploma pode impedir o julgamento de indivíduos que possam ter sido responsáveis ​​por graves violações de direitos humanos cometidas no contexto dos protestos contra o governo em abril de 2018.

Detenções

Michelle Bachelet, Alta Comissária das ONU para os Direitos Humanos, discursa em uma coletiva de imprensa atrás de um pódio.
Bachelet lembra que as amnistias por violações graves dos direitos humanos “são proibidas pelo direito internacional”, porque “criam impunidade, o que pode levar a novas violações.”
Foto: ONU/ Laura Jarriel

O governo não entregou o texto do projeto de lei com antecedência, apesar dos pedidos do Escritório de Direitos Humanos da ONU.

Para Bachelet, a monitorização dos direitos humanos pelo seu escritório expôs as graves violações e abusos cometidos desde abril de 2018 na Nicarágua.

Um dos exemplos dessa situação é “o uso desproporcionado da força pela polícia, resultando por vezes em execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, tortura e violência sexual, bem como detenções arbitrárias ou ilegais generalizadas, ocasionalmente por elementos armados pró-governo com permissão das autoridades.”

Estima-se que mais de 300 pessoas foram mortas, 2 mil feridas e centenas de críticos do governo foram presos. Mais de 700 foram submetidas a processos criminais.

Em nota, a responsável considera ainda que “o governo tem o dever de garantir responsabilidade e justiça para as vítimas.”

Amnistias

De acordo com as informações disponíveis, apenas uma sentença foi proferida contra um elemento armado pró-governo e não foi aberta nenhuma investigação a membros das forças de segurança em relação a esses relatos de violações de direitos humanos.

Neste contexto, Bachelet lembra que as amnistias por violações graves dos direitos humanos “são proibidas pelo direito internacional”, porque “criam impunidade, o que pode levar a novas violações.”

Para além disso, a representante considera que as amnistias “podem minar o direito das vítimas à justiça, incluindo indemnizações e o direito à verdade.”

Quanto àqueles que foram arbitrariamente detidos no contexto dos protestos ou por expressarem pontos de vista dissidentes, Bachelet considera que “devem ser libertados e os processos criminais contra eles devem ser rejeitados.”

Compensações

A alta comissária também expressou preocupação com a adoção, a 29 de maio, de uma lei que que não estabelece medidas de compensação adequadas

Além disso, a lei refere-se especificamente à intenção das autoridades de responder aos danos causados ​​pelo que chamou "golpe de Estado falhado". Segundo a chefe de direitos Humanos, isso que significa que aqueles que se opuseram ao governo durante os protestos de 2018 são vistos pelas autoridades como responsáveis e não como vítimas.

Para Bachelet, os cidadãos do país têm direito à verdade, justiça e a garantia de que o uso excessivo de força “não pode e não vai acontecer novamente e que seus direitos fundamentais às liberdades de expressão e reunião pacífica serão respeitados.”

A alta comissária termina sua comunicação, reiterando a disponibilidade do seu escritório de assessorar e auxiliar o Governo da Nicarágua no fortalecimento de sua justiça e em instituições mais amplas de Estado de direito.