ONU pede maior cooperação para que benefícios da tecnologia digital cheguem a todos
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10 junho 2019

Filantropos Melinda Gates e Jack Ma integram painel que lançou relatório e recomendações para construir futuro digital inclusivo; cerca de metade da população mundial tem acesso limitado ou inexistente à internet.

Um painel independente nomeado pelo secretário-geral da ONU pede aos governos, ao setor privado e à sociedade civil que trabalhem juntos com urgência para maximizar os benefícios e minimizar os danos das tecnologias digitais.

O pedido faz parte de um relatório com o título A Era da Interdependência Digital, lançado esta segunda-feira em Nova Iorque.

Mudanças

O grupo de 20 peritos, co-presidido pela filantropa Melinda Gates e o empresário Jack Ma, descreve “um mundo mais ligado do que nunca, mas tentando gerir os impactos econômicos, sociais, culturais e políticos da transformação digital.”

Falando à Assembleia Geral na apresentação do relatório, António Guterres prometeu estudar as conclusões e sugestões do relatório.

O chefe da ONU disse que “não passa um dia” em que não veja “como a tecnologia digital pode fazer avançar as missões de paz, direitos humanos e desenvolvimento sustentável.” Por outro lado, “não passa um dia sem notícias da ruptura que a tecnologia digital pode causar e as ameaças que pode causar a essa missão.”

O secretário-geral disse acreditar que “a comunidade internacional incluindo os decisores políticos, estão falhando suas responsabilidades.” Segundo ele, “os sistemas de governação digital são antigos, fragmentados e reativos.”

Sobre o relatório, Guterres disse esperar que “estimule um debate urgente e aberto entre governos, setor privado, sociedade civil e outros, para que se possa avançar de forma segura na era da interdependência digital.”

Cooperação

O relatório faz um apelo para revigorar a cooperação multilateral, dizendo que precisa envolver um grupo muito mais diversificado de partes interessadas, como sociedade civil, acadêmicos e setor privado.

O co-presidente Jack Ma disse que o mundo está “vivendo a alvorada de uma nova era digital” e, por isso, “a cooperação global entre todas as partes é necessária para usar a tecnologia para obter mais prosperidade, oportunidades e confiança para as pessoas em todo o mundo.”

António Guterres em evento sobre programação informática, Foto ONU / Antonio Fiorente

Segundo ele, é preciso tornar a tecnologia mais inclusiva, para que “mais mulheres, jovens, populações rurais, pequenas empresas e países em desenvolvimento possam beneficiar.” Também é necessário “repensar os sistemas educacionais, para que preparem os jovens para o futuro, e não para ontem.”

Recomendações

O painel destaca a importância de não deixar ninguém para trás e a importância desta área para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs.

Uma das propostas é maior colaboração em torno do uso de dados e desenvolvimento de "bens públicos digitais", para permitir que as tecnologias digitais sejam usadas em escala.

O relatório discute as questões de dinheiro móvel, identificação digital, serviços governamentais, comércio digital e acesso à internet a preços acessíveis. Cerca de metade da população mundial ainda não tem acesso à internet ou está usando apenas uma parte do seu potencial.

Desigualdades

A co-presidente do conselho, Melinda Gates, afirmou que “as tecnologias digitais podem ajudar as pessoas mais pobres do mundo a transformar suas vidas.” Mas disse que isso apenas acontecerá se o mundo estiver “disposto a enfrentar as desigualdades que impedem essas pessoas de participar plenamente da vida econômica e social de seus países.”

Descrevendo as tecnologias digitais como “uma fonte de novas soluções”, Gates disse que “os países em desenvolvimento e as comunidades marginalizadas devem ter voz para decidir como essas tecnologias são usadas.”

Jovens e mulheres devem ser um dos focos para aumentar o alcance das tecnologias digitais, Unicef

Direitos Humanos

O painel também se concentra em questões de direitos humanos, confiança e segurança na era digital.

Os especialistas destacam o problema de conteúdo nocivo nas mídias sociais, os desafios à privacidade e a importância da confiança e estabilidade do ambiente digital. O grupo “exige ações mais eficazes para evitar que a confiança e a estabilidade sejam corroídas pela proliferação de usos irresponsáveis”.

Sobre a questão da inteligência artificial, o painel recomenda que “os sistemas inteligentes autônomos sejam projetados de modo que suas decisões possam ser explicadas e os humanos sejam responsáveis ​​por seu uso.”

O relatório diz que é necessária uma arquitetura fortalecida para a cooperação digital em todo o mundo, identifica lacunas e desafios e propõe três opções para esta nova arquitetura de governança.

A pesquisa afirma que a comunidade internacional não precisa começar do zero e pode usar mecanismos já estabelecidos, como fóruns e redes de governos, indústria, órgãos técnicos e sociedade civil, bem como regulamentos, diretrizes e códigos de conduta.

Outra proposta é que as Nações Unidas marquem o seu 75º aniversário, celebrado em 2020, com a assinatura de um Compromisso Global para a Cooperação Digital.

 

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