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África lusófona recebe apoio de comissão da ONU para viabilizar área de comércio livre continental

Alcca deve favorecer a industrialização, o crescimento de empresas e crescimento do comércio entre países da África.
ONU
Alcca deve favorecer a industrialização, o crescimento de empresas e crescimento do comércio entre países da África.

África lusófona recebe apoio de comissão da ONU para viabilizar área de comércio livre continental

Desenvolvimento econômico

Especialista do ECA participou no diálogo em São Tomé e Príncipe; Comissão económica também interage com autoridades de Angola e Cabo Verde; mercado da zona de comércio livre deve cobrir mercado de 1,2 bilhão de africanos.

A Comissão Económica das Nações Unidas para África, ECA, trabalha junto a vários países africanos de língua portuguesa para que seja finalizado o processo de adesão à área de comércio livre africano.

Vice-chefe da Comissão Econômica da África, António Pedro (à direita)
António Pedro é diretor da área da África Central na Comissão Econômica das Nações Unidas para a África., by Reprodução

A informação foi dada à ONU News pelo diretor regional da ECA para a África Central, António Pedro, que disse já ter acompanhado o diálogo em São Tomé e Príncipe.

Economia Azul

“Nós organizamos um fórum nacional sobre o acordo e, entre outras coisas, dissemos que era preciso, no contexto de São Tomé, especializarem-se na área de serviços. Portanto, incluindo o turismo, e tanto a economia azul no geral, dado o potencial enorme que a economia azul representa para São Tomé e Príncipe.”

António Pedro também esteve recentemente em Angola, onde considera que esta iniciativa da União Africana vai catalisar a criação de indústrias nacionais. O resultado será a criação de cadeias de valor, como parte do contexto regional e continental.

“Portanto, é preciso fazer esses estudos, diagnósticos, país por país, para se identificar quais são as suas vantagens comparativas e criar, portanto, a estratégia em volta disso. É o que estamos a fazer para todos os países, incluindo, como eu disse, o caso específico dos países lusófonos como, neste caso em particular, Angola e Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.”

Área de Livre Comércio Africana

Preferências

O acordo que pretende promover a emancipação económica do continente já foi ratificado por mais de 22 nações até 30 de maio, o limite legal para sua validação.

No final de julho, o lançamento do tratado será feito na cimeira da organização em Niamey, no Níger, pelos países que o ratificaram. Essas economias concordaram em eliminar as tarifas, quotas e preferências sobre bens comercializados.

O diretor regional disse que é essencial uma maior colaboração para formular essas políticas nacionais para a zona livre do comércio africano.   

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“Significa que, entre outras coisas, os países têm de determinar já qual é a lista de produtos que vão ficar fora do esquema de isenção que está no corpo da zona livre. 10% dos produtos, dos quais 7% podem ser da lista protegida e 3% completamente excluídas, durante um certo tempo poderão beneficiar de proteção. E é sobre esses 10% da lista de produtos sensíveis e excluídos que muitos países querem formular as suas políticas de industrialização.”

Espera-se que o mercado da zona de comércio livre venha a cobrir 1,2 bilhão de pessoas e tornar “muitos projetos economicamente mais viáveis”.

Atualmente o comércio interafricano é considerado “minúsculo” com trocas na faixa entre 16% e 17%.