Especialistas da ONU apontam lições dos ciclones Idai e Kenneth em Moçambique

3 junho 2019

Técnicos do Programa da ONU para o Meio Ambiente e do Escritório de Assuntos Humanitários dizem que o país pode usar desastres naturais para preparar reconstrução; país realizou conferência de doadores para apoiar esforços de reconstrução.

Especialistas dos Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, e do Escritório de Assuntos Humanitários, Ocha, dizem que Moçambique podem tiram lições após os dois ciclones que atingiram o país em 2019.

Na sexta-feira e no sábado, o país acolheu cerca de 700 participantes numa Conferência Internacional de Doadores para conseguir financiamento para os esforços de reconstrução. Durante o encontro, foram prometidos US$ 1,2 mil milhão.

Sala na Beira, Moçambique, onde aconteceu a Conferência Internacional de Doadores, ONU Moçambique

Especialistas

Após os ciclones Idai e Kenneth, o Pnuma e o Ocha enviaram especialistas para o terreno para avaliar os estragos e preparar a reconstrução das infraestruturas.

Um dos peritos, Gerhard Winters, disse que “existe a necessidade de uma abordagem como um todo no planeamento espacial que tenha em conta o impacto de tempestades como o Idai e o Kenneth.”

Segundo ele, “um país pode parecer bem preparado, com bons planos de gestão de águas, mas ser prejudicado por uma falta de fundos para planeamento ou construção de diques.”

Winters disse também que “em países com territórios vastos, como Moçambique, chegar a vilas remotas pode ser particularmente difícil” e isso tem de ser lembrado.

Reconstrução

Outro especialista, o hidrólogo Jeroen Helder, disse que “o aumento da consciência sobre a prevenção e gestão de enchentes é muito importante.”

Helder afirmou que, durante a fase de reconstrução, “haverá a necessidade de reconstruir a infraestrutura danificada usando projetos bem informados sobre riscos para evitar a ocorrência de danos semelhantes.”

Helder deu o exemplo das pontes que ligam a cidade da Beira para o resto do país, que foram destruídas. Mas houve uma ponte ferroviária, mais antiga, que resistiu à tempestade. Ele diz que “o processo de reconstrução deve aprender lições com essa infraestrutura.”

Acampamento na Beira, em Moçambique, que abriga famílias afetadas pelo ciclone, Pnud Mozambique

Para o especialista, também é preciso estar consciente sobre as consequências da mudança climática no país. Segundo ele, “Moçambique precisa construir um sistema de alerta precoce e informar e preparar os moradores de áreas propensas a desastres.”

Conferência

Moçambique precisa de US$ 3,2 mil milhões para a reconstrução pós-ciclone nas províncias de Sofala, Manica, Tete, Zambézia, Inhambane Nampula e Cabo Delgado.

A base deste apelo é a Avaliação das Necessidades Pós-Desastres, Pdna na sigla em inglês, que foi realizada pelo governo com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, União Europeia, Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento.

Sobre os esforços de reconstrução, a pesquisa diz que “o impacto negativo das alterações climáticas é agora uma realidade crescente para Moçambique, e essa situação deve ser considerada agora e no futuro.”

Durante a Conferência Internacional de Doares, a diretora do Departamento do Pnud em África disse que “o ponto mais importante é que a recuperação precisa ser resiliente.”

Noura Hamladji afirmou que Moçambique “está propenso a desastres de mudança climática, e estes ciclones não foram um evento único.” Segundo a representante, “a probabilidade destes desastres voltarem a acontecer muitas vezes no futuro é muito alta.”

 

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Anúncio foi feito pelo presidente do país no final de uma Conferência Internacional que reuniu cerca de 700 participantes na cidade da Beira; Nyusi agradeceu o apoio das Nações Unidas, dizendo que “salvou vidas moçambicanas”.