Guterres defende tributação da poluição, não das pessoas

28 maio 2019

Na Cimeira Mundial Austríaca R20, secretário-geral defende ainda que devem acabar os subsídios para os combustíveis fósseis; chefe da ONU considera ação climática benéfica para as pessoas, para o planeta e para as empresas

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse esta terça-feira que está claro que não há mais tempo a perder na resposta dos países à crise climática na reunião internacional que acontece em Viena.

Falando aos líderes que participam na Cimeira Mundial Austríaca R20, o chefe da ONU pediu que estes “não venham com discursos bonitos, mas que apresentem planos concretos para promover a ação climática” necessária.

António Guterres com a ativista climática Greta Thunberg, o ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger e o presidente austríaco Alexander Van der Bellen, na Cimeira Mundial Áustria R20 em Viena. Foto: ONU Vienna/Nikoleta Haffar

Ambição

Guterres declarou que seu objetivo no evento era demonstrar uma maior ambição política nacional e coletiva.

Para o chefe da ONU é preciso tributar a poluição, não as pessoas, além de se acabar com os subsídios para os combustíveis fósseis. Ele afirmou que os contribuintes desejam o seu dinheiro de volta, em vez de o ver “usado para destruir o mundo”.

Guterres defende que é preciso descarbonizar a infraestrutura urbana, especialmente o transporte e os edifícios, e parar a construção de novas centrais de carvão “que envenenam o ar que respiramos”.

Outra necessidade é promover o consumo e a produção sustentáveis, além de “apoiar a agricultura inteligente” para que haja dependência de soluções baseadas na natureza e não de insumos químicos.

Economia

O secretário-geral disse que também é necessário fortalecer a resiliência das regiões e cidades em relação a impactos climáticos, adotar uma economia verde e não uma economia cinza “para ter uma sociedade verde, não uma sociedade cinzenta”.

O representante defendeu que a economia dos países esteja orientada para o futuro, não uma “economia do passado”.

Por essas razões, o pedido feito aos governos é que apresentem, até 2020, compromissos nacionais para a ação climática que sejam  muito mais ambiciosos do que aqueles que foram anunciados em Paris.

No seu discurso, o chefe da ONU falou da recente viagem ao Pacífico Sul, onde na ilha de Tuvalu testemunhou como a região, de baixa altitude, enfrenta inundações devido ao aumento do nível do mar.

ONU Viena/Nikoleta Haffar
Guterres e a jovem ativista Greta Thunberg na sede da ONU em Viena,

Mudança

O representante disse que em todo o mundo as pessoas estão perdendo suas casas e sendo forçadas a migrar por causa da mudança climática.

O discurso  alerta que o nível do mar está subindo e fenômenos como inundações, secas, incêndios e tempestades extremas aparecem em todos os lugares.

O secretário-geral destacou a necessidade de água e  ar mais limpos, menor poluição, de uma agricultura mais livre de produtos químicos e da necessidade de reduzir a perda de biodiversidade.

Uma economia que leve a uma sociedade pós-carbono é para Guterres “um caminho de desenvolvimento inteligente para o clima e pode proporcionar prosperidade inclusiva para todos em um planeta saudável”.

Mitigação

Guterres pediu que os países estejam na vanguarda das mudanças que são necessárias para esse propósito, e disse contar com os países na Cimeira do Clima de Nova Iorque agendada para setembro.

 Na preparação do evento, o chefe da ONU disse que é necessário apoio internacional para atingir a meta de US $ 100 bilhões por ano, vindos de fontes públicas e privadas em países desenvolvidos, para avançar na mitigação e  na adaptação no mundo em desenvolvimento.

Guterres pediu ainda que seja mostrado ao mundo que a ação climática é benéfica para as pessoas, para o planeta e para as empresas.

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