ONU quer fim imediato da violência após morte de 54 centro-africanos
BR

24 maio 2019

Secretário-geral quer que autores sejam rapidamente levados à justiça; ataques a aldeias da República Centro-Africana foram atribuídos ao grupo armado 3Rs;   Unicef descreve condições “extremamente perigosas no terreno” para as crianças.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou com veemência os ataques a aldeias da área de Bouer ocorridos na quinta-feira no nordeste da República Centro-Africana.

Relatos de agências locais indicam que pelo menos 54 pessoas perderam a vida nos atos atribuídos ao grupo armado 3Rs, que assinou o acordo de paz de 6 de fevereiro em Bangui.

Acordo de paz na República Centro-Africana foi assinado a 6 de fevereiro. Foto: Minusca

Crimes

Em nota, emitida esta sexta-feira, o chefe da ONU expressa suas condolências às famílias das vítimas, ao povo e ao Governo da República Centro-Africana desejando ainda uma rápida recuperação aos feridos.

O pedido feito às autoridades do país é que investiguem esses ataques e “que levem rapidamente os responsáveis à justiça”.  O secretário-geral lembra que esse tipo de ato contra civis pode constituir crimes de guerra.

Guterres destaca ainda o compromisso dos assinantes do acordo de paz em respeitar o Direito Internacional Humanitário e os direitos humanos. A todos os grupos armados que fazem parte deste entendimento, o chefe da ONU pediu que “cessem imediatamente toda a violência”, tal como se comprometeram a fazer.

O secretário-geral reitera que a Missão na ONU na República Centro-Africana, Minusca, está determinada a proteger os civis e a apoiar a implementação do acordo “que representa o único caminho viável para a paz no país”.

Minusca/Hervé Serefio
Soldado de paz egípcio da missão da ONU na República Centro-Africana, Minusca, ajuda a distribuir água na capital Bangui.

Massacre

Em nota separada, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, aponta que o “massacre marca um ponto baixo desde que o frágil processo de paz e reconciliação foi acordado em fevereiro”.

A agência  lembra que nos últimos seis anos, cerca de 2,9 milhões de pessoas passaram a precisar de ajuda humanitária devido aos repetidos ataques e à violência contra civis. O número corresponde à metade dos habitantes do país.

O Unicef descreve condições extremamente perigosas para as crianças que “são alvos de grupos armados, vítimas do fogo cruzado e recrutadas para o combate.”

Os ataques também alcançam “os lugares mais confiados pelos menores para receber  proteção e apoio como escolas, hospitais e locais de culto”.

O Unicef também destaca o aumento da insegurança alimentar e a redução do acesso aos cuidados de saúde devido ao conflito. Cerca de 43 mil crianças deverão enfrentar desnutrição aguda severa este ano e risco iminente de morte.

 

 

 

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