Mulheres na liderança trazem melhor desempenho para as empresas, diz relatório 

22 maio 2019

Estudo da OIT mostra que diversidade de género pode gerar até 20% de crescimento de lucros; pesquisa abrangeu 13 mil empresas em 70 países; entre países analisados em África, Cabo Verde é o segundo com maior percentagem de mulheres em cargos de topo.

As empresas com diversidade de géneros, particularmente ao nível sénior, têm um melhor desempenho, incluindo aumentos significativos dos lucros.

Esta é uma das conclusões de um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, lançado esta quarta-feira em Genebra. A pesquisa entrevistou cerca de 13 mil empresas em 70 países.

Resultados

A agência recomenda que sejam melhoradas as políticas que apoiam a inclusão e equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, para homens e mulheres, como horário flexível e licença paternidade.Unicef/ UN0312533/Filippov

Mais de 57% dos entrevistados concordaram que as iniciativas de diversidade de género melhoraram os seus resultados.

Quase três quartos das empresas que dão prioridade à diversidade de género na sua gestão, relataram aumentos dos lucros entre os 5% e os 20%. A maioria regista um crescimento entre os 10% e os 15%.

Para 57% delas, uma maior participação feminina em cargos de liderança torna mais fácil atrair e reter talentos e mais de 54% viram melhorias na criatividade e na inovação.

Ainda segundo o relatório, uma proporção semelhante afirmou que a inclusão efetiva de género aumentou a reputação da sua empresa.

Lusófonos

O relatório analisou, por regiões, a percentagem feminina em posições de gestão e liderança. Em África, dos 28 países que participaram neste estudo, Cabo Verde é o segundo com maior percentagem de mulheres em posição de liderança. Moçambique surge na 20ª posição e Angola em 26º lugar. 

Nas empresas avaliadas na Europa, Portugal é vigésimo com mais participação de altos quadros femininos dos 47 países avaliados. No grupo das nações asiáticas, Timor-Leste aparece na 11ª posição entre os 29 países estudados. 

Equilíbrio de Género

Em África, dos 28 países que participaram neste estudo, Cabo Verde é o segundo com maior percentagem de mulheres em posição de liderança.Pnuma/ Georgina Smith

Para a diretora do Escritório da OIT para as Atividades dos Empregadores, Deborah France-Massin, “as empresas devem olhar para o equilíbrio de género como uma questão de fundo, não apenas uma questão de recursos humanos.”

France-Massin sublinha que era de se esperar “uma correlação positiva entre a diversidade de géneros e o sucesso nos negócios” mas considera que “estes resultados são reveladores."

O relatório concluiu também que, a nível nacional, um aumento do emprego feminino está positivamente associado ao crescimento do Produto Interno bruto, PIB. A conclusão baseia-se numa análise de dados de 186 países durante o período 1991-2017.

Recomendações

A OIT define equilíbrio de género na alta administração como 40% a 60% de ambos os sexos, tal como na força de trabalho geral.

O relatório diz que os benefícios da diversidade de género começam a ser visíveis quando as mulheres detêm 30% das posições de liderança. No entanto, quase 60% das empresas não atingem essa meta, apesar de três quartos das que foram entrevistadas terem oportunidades iguais ou políticas de diversidade e inclusão.

Por isso, o relatório diz que são necessárias ações mais específicas para garantir que as mulheres sejam visíveis e promovidas para áreas de negócio estratégicas.

A OIT identificou alguns fatores-chave que impedem as mulheres de alcançar posições de tomada de decisão como a cultura empresarial que exige disponibilidade “a qualquer hora, em qualquer lugar”, que afetam desproporcionalmente as mulheres, em relação às responsabilidades domésticas e familiares.

A agência recomenda que sejam melhoradas as políticas que apoiam a inclusão e equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, para homens e mulheres, como horário flexível e licença paternidade.

 

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