“Precisamos todos uns dos outros”, diz Angola sobre acolhimento de refugiados

22 maio 2019

Embaixadora do país participa na Série de Diálogos sobre África; território angolano acolhe 70 mil refugiados e candidatos a asilo; representante cita exemplos de Moçambique e Namíbia para defender inclusão de deslocados.

A embaixadora de Angola junto às Nações Unidas defendeu o apoio ao acolhimento de refugiados africanos pelo mundo. Maria de Jesus Ferreira fez as declarações em Nova Iorque à margem da Série de Diálogos sobre África.

Angola acolhe cerca de 70 mil refugiados e candidatos a asilo e, segundo a representante, a própria realidade angolana está fundamentada na assistência humanitária e na “irmandade entre africanos”.

Série de Diálogos sobre África na sede da ONU, em Nova Iorque, no dia 21 de maio de 2019. Foto: UN Photo/Eskinder Debebe

Independência

“Angola é também fruto da assistência e do sistema não só humanitário, mas da irmandade entre os países africanos. Não tivesse sido esse suporte, Angola teria com alguma dificuldade chegado ao dia da independência como chegamos. Para Angola (a questão de refugiados) tem, de facto um grande significado. A assistência que se deve prestar aos refugiados e aos deslocados internamente porque são parte de uma população, são parte de um todo. Nenhum país vive só e nenhum cidadão vive só.”

No território angolano observa-se um movimento de milhares de pessoas que enfrentam consequências da seca no sul do país. A representante disse que não faltam exemplos de abrigo de vítimas de alterações climáticas, mas apela que mais seja feito pelo setor privado local.

Em sua opinião, devem haver soluções novas para integrar deslocados em processos de desenvolvimento de onde estes são transferidos, não somente em Angola mas em várias partes do continente africano.

Soluções

“O norte da Namíbia é igualmente vítima da mesma situação. Em Moçambique vivemos também uma solução em concreto, resultado destas cheias que provocaram todos os deslocados que tivemos oportunidade de acompanhar. O que se espera é que a sociedade privada também participe  junto dos governos trazendo soluções para o enquadramento e a integração, porque não bastam as ofertas pontuais de donativos. É necessário criar uma situação para que essas populações ao se deslocarem para outras áreas tenham a possibilidade de se integrar e fazer parte de desenvolvimento económico e social daquela localidade em concreto aonde estão.”

Este ano, as Nações Unidas realizam a Série de Diálogos sobre África sob o lema Refugiados, Repatriados e Deslocados Internos: Rumo a Soluções Duradouras para o Deslocamento Forçado em África.

 

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