OIT: Economia verde pode gerar milhões de empregos na América Latina e no Caribe
BR

21 maio 2019

Estudo aponta que empregos verdes são catalisadores da transição para a sustentabilidade ambiental; cerca de 75 milhões de pessoas nas Américas trabalham em setores que podem ser afetados por mudanças climáticas, poluição e sobre-exploração, entre outros.

A necessidade de enfrentar as mudanças climáticas, a sobre-exploração de recursos naturais e a poluição dos ecossistemas torna urgente a transição para uma economia verde.

Segundo um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, a economia verde também tem o potencial de gerar milhões de empregos na América Latina e no Caribe e mitigar os custos laborais derivados de problemas ambientais.

Economia verde: estimativa inclui empregos criados no setor de novas fontes de energia. Foto: Pnuma GRID Arendal/Peter Prokosch

Estudo

Para o diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, José Manuel Salazar-Xirinachs, “os desafios colocados pela sustentabilidade ambiental são uma das forças poderosas que estão moldando o futuro do trabalho nesta região, e é por isso que é necessário tomar medidas para maximizar seus benefícios e enfrentar efetivamente suas ameaças.”

O estudo “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo 2018: Greening with Jobs”, destaca que, numa região do planeta com tantos recursos naturais abundantes, áreas costeiras e grande diversidade de ecossistemas, “é indiscutível que o mundo do trabalho está intrinsecamente relacionado com o meio ambiente”.

Neste cenário, o relatório destaca que “os empregos verdes são catalisadores da transição para a sustentabilidade ambiental”.

O diretor regional da OIT apontou que “há oportunidades enormes numa economia verde, mas também um potencial de destruição de postos de trabalho.” Por isso, é preciso “garantir que os trabalhadores tenham acesso à proteção social, adquiram o conjunto correto de qualificações e que as economias tenham a capacidade de fazer a transição entre indústrias tradicionais e indústrias mais verdes.”

Mudanças Climáticas

O novo relatório da OIT indica que os esforços para combater as mudanças climáticas até 2030 gerarão um saldo positivo de 18 milhões de empregos em todo o mundo.

A estimativa inclui, por exemplo, aqueles empregos que serão criados nos setores de construção e manufatura para possibilitar a geração de novas fontes de energia e avançar em direção a uma maior eficiência energética.  

O especialista da OIT em econometria do trabalho, Guillermo Montt, que participou da preparação do relatório, explicou que  “na América Latina e no Caribe, pelo menos 1 milhão de empregos serão gerados como resultado do uso de energias renováveis, maior eficiência energética em imóveis e maior demanda por carros elétricos e outras tecnologias de mudança no padrão de consumo para combater as mudanças climáticas.”

UN Foto
Economia circular: esforços para combater as mudanças climáticas até 2030 gerarão um saldo positivo de 18 milhões de empregos em todo o mundo.

Postos de Trabalho

Os dados coletados no estudo indicam ainda que a região poderia gerar outros 4 milhões de postos de trabalho com o desenvolvimento da chamada “economia circular”.

Esse modelo econômico promove a reutilização, a reparação, a reciclagem, a remanufatura e a maior durabilidade de produtos, como uma alternativa ao modelo linear de extração, fabricação, uso e descarte que prevalece nas últimas décadas.

Para Montt, “a transição para uma economia verde implica mudanças em quase todos os setores econômicos, incluindo energia, agricultura, transporte, construção, mineração, pesca, etc.”

O representante acrescentou que “o progresso em direção a uma economia sustentável mais geral terá um impacto em todos os setores” e as opções que forem tomadas “determinarão se elas trarão empregos e trabalho decente para a região”.

Efeitos Negativos

A OIT acredita que medidas de mitigação evitarão os efeitos negativos da degradação ambiental no mundo do trabalho.

Os dados coletados para o estudo apontam que, nas Américas, incluindo as Américas do Norte, Central e do Sul, cerca de 75 milhões de pessoas trabalham em setores que dependem de processos ecossistêmicos.

Áreas como agricultura, turismo e pesca, que podem ser afetadas por mudanças climáticas, poluição e sobre-exploração, entre outros.

De acordo com os dados do relatório, os desastres naturais, que se tornaram mais intensos nos últimos anos, por exemplo, causam perdas estimadas em 200 anos de vida útil para cada 100 mil pessoas afetadas nas Américas.

Foto ONU/ Mark Garten
Aquecimento do Ártico está a impulsionar muitas das mudanças em curso na região, incluindo a perda de gelo marinho e alterações nos ecossistemas terrestres e marinhos.

Temperaturas

O aumento das temperaturas também pode ter efeitos inusitados no futuro do trabalho. Estima-se que, na América Central e do Sul, entre 0,8% e 0,6% das horas trabalhadas serão muito quentes para o trabalho, com consequências na produtividade, saúde e segurança no trabalho.

Montt também destacou que a degradação ambiental “afeta sobretudo os trabalhadores e as famílias mais vulneráveis, o que contribui para o aumento das desigualdades”.

Desafio

O diretor regional da OIT enfatizou que “o principal desafio é fazer com que a transição seja justa para todos.”  

Salazar acredita que “embora haja criação de postos de trabalho, há trabalhadores e comunidades que sairão perdendo”. Por essa razão, segundo o especialista, “é muito importante garantir que a região esteja pronta e possa aproveitar as oportunidades de emprego que surgem e impedir o aumento das desigualdades”.

Salazar acrescentou que “o desenvolvimento de habilidades e a complementaridade com políticas econômicas, de proteção social e de diversificação produtiva são um desafio, que deve ser apoiado por amplos processos de diálogo social para gerar os empregos verdes que nossas sociedades precisam.”

 

 

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