Agência da ONU considera suspender ajuda em áreas do Iêmen controladas pelos houtis

20 maio 2019

Programa Mundial de Alimentação diz que enfrenta vários obstáculos em áreas controladas pelos rebeldes houtis; decisão “será tomada como último recurso”; apoio a mulheres e crianças subnutridas continuará. 

O Programa Mundial de Alimentação, PMA, disse esta segunda-feira que pode ser forçado a “tomar a difícil decisão de suspender em etapas as operações em áreas controladas pelos houtis” no Iêmen.

A agência afirma que o seu “maior desafio não vem das armas”, mas sim “do papel obstrutivo e não cooperante de alguns dos líderes houtis em áreas sob seu controle.”

Milhões de crianças em todo o Iémen enfrentam sérias ameaças devido à desnutrição. , by Unicef/Taha Almahbashi

Obstáculos

O conflito no Iêmen opõe a coalização do governo contra as forças rebeldes houtis. Os combates acontecem há mais de quatro anos e a crise humanitária no Iêmen é considerada a maior no mundo.

O PMA diz que o acesso a pessoas com necessidades foi negado, que comboios de ajuda foram bloqueados e que autoridades locais interferiram na distribuição de alimentos e colocaram repetidos obstáculos à seleção independente de beneficiários.

Além disso, foi negado um pedido para implementar um sistema de registro biométrico, que permitiria ao PMA identificar as pessoas com mais necessidades.

A agência diz que tudo “isso tem que parar.”

O PMA afirma que o conflito causou vários desafios, mas a agência “trabalhou com líderes para encontrar soluções que garantam que a comida chegue” às pessoas com necessidades. Apesar disso, as “negociações com líderes houtis” ainda “não produziram resultados tangíveis.”

A agência explica que alguns chefes houtis “assumiram compromissos positivos”, mas “estão sendo derrotados por outros líderes que quebraram as garantias dadas sobre o fim dos desvios de comida e o exercício de registro biométrico dos beneficiários.”

Ajuda

Conflito no Iémen já dura cinco anos., by Ocha/Giles Clarke

Em 2019, o PMA pretende alimentar cerca de 12 milhões de pessoas, quase metade do total da população, com um custo de cerca de US$ 175 milhões por mês.

O PMA diz que “está trabalhando incansavelmente para atender às necessidades de milhões de crianças, mulheres e homens iemenitas que estão ameaçados por uma potencial fome devido a conflitos.”

A agência diz que “muitas pessoas já não estão sendo alcançados por causa dos obstáculos que estão sendo colocados.”

O PMA explica que a suspensão “será tomada como último recurso” e que fará “tudo” para “garantir que os mais fracos e mais vulneráveis, especialmente as crianças, não sofram.”

As atividades dirigidas a crianças e mulheres continuarão mesmo durante uma suspensão. A agência diz que deve “isso ao povo do Iêmen e aos doadores internacionais que apoiam a operação.”

O PMA termina a nota esperando “que o bom senso prevaleça e que uma suspensão não aconteça” e afirmando que “a responsabilidade final pelo bem-estar de seu povo é da liderança iemenita.”

Por fim, a agência afirma estar pronta para fazer a sua parte e “garantir um futuro melhor para os milhões de iemenitas que lutam para alimentar suas famílias.”

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Novos ataques aéreos mataram cinco menores e feriram 16 no Iêmen

Acnur apela a combatentes que respeitem leis sobre a proteção de civis; refugiados estão entre os feridos e afetados; Unicef estima que oito crianças são mortas, feridas ou recrutadas por dia devido ao conflito no país.