Iniciativa da FAO capacita camponeses de Moçambique em adaptação às mudanças climáticas

18 maio 2019

Projecto abrange províncias de Gaza, Tete Manica e Sofala; objetivo é beneficiar 1500 extensionistas e 30 mil camponeses até final de 2019. 

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, implementa em Moçambique um projeto que visa fortalecer a capacidade dos produtores agrários em gerir o impacto das mudanças climáticas. A iniciativa, em campos agrícolas, visa também aumentar a segurança alimentar através da abordagem da Escola na Machamba do Camponês.

Nesta sexta-feira, 57 camponeses receberam a graduação do projeto nos distritos de Chokwé, que fica na província de Gaza, e em Tsanganona, localizado na província de Tete. O coordenador da iniciativa na FAO, Pedro Simpson, disse à ONU News que os formandos foram capacitados na produção de composto orgânico, captação de água da chuva, produção de canteiros, cactos e campo de agricultura de conservação.

Benefícios

“Já existe algum retorno que são os pequenos agricultores que vêm recebendo apoio para implementar essas práticas. Eles é que fazem parte deste dia de campo. e são eles que demonstram as práticas que vêm aprendendo e que contam pela sua própria perspetiva os benefícios que vêm recebendo. Mas essas práticas melhoradas têm trazido aumento da produtividade, sustentabilidade dos solos, redução e recuperação das áreas degradadas.” 

O projeto que envolve 18 distritos das províncias de Gaza, Sofala, Manica e Tete, visa aumentar a capacidade do sector agrário para gerir o impacto das mudanças climáticas, reduzindo a vulnerabilidade dos camponeses. 

De acordo com agricultores de Ndonga, do distrito de Guijá, na província de Gaza, a experiência é boa e será replicada. A metodologia de aprendizagem aplicada no projeto consiste em trabalhos em grupo através da observação e troca de experiências, com o desenvolvimento de novos conhecimentos.

Práticas de Adaptação

“Ela vem dar resposta a necessidade do sistema de extensão em formar os novos extensionistas que foram recém contratados ao longo ano passado na metodologia da Escola na Machamba do Camponês para que eles possam então, depois dessa formação, começar a facilitar os grupos das escolas na região onde eles actuam”

No distrito de Tsangano, província de Tete, os membros da EMC Ticondane também apresentaram as práticas de adaptação às mudanças climáticas desenvolvidas pelo grupo no âmbito do projecto da FAO. 

Experiência

A agricultora Rosa Malaque citou a sua experiência no uso de composto orgânico que ela própria  produziu. Também falou das mudanças verificadas, destacando a recuperação da fertilidade do solo e como isso refletiu no aumento da produção.

Com um campo de dois hectares, Rosa diz que agora produz o suficiente para o consumo da família e para vender, “tudo graças às medidas de adaptação às mudanças climáticas” que aprendeu no projeto.

Em Moçambique dois terços da população vive em zonas rurais e cerca de 80% depende da agricultura para a subsistência. 

*Ouri Pota de Maputo para a ONU News

 

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