Guterres quer jovens mais envolvidos nas decisões sobre ação climática

13 maio 2019

Secretário-geral conversou com estudantes da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia; impostos devem taxar poluição e não as pessoas, diz líder da ONU; redução de espécies animais e vegetais é outra grande preocupação.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, considera que é necessário que os jovens sejam mais envolvidos nas decisões relativas à ação climática falando a uma plateia de jovens estudantes da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia.

Questionado sobre quais os esforços das Nações Unidas para incluir os mais jovens no combate às alterações climáticas, Guterres explicou que a organização promove um conjunto de iniciativas muito importantes em que tenta mobilizar representantes de jovens de todo o mundo.

Jovens

O secretário-geral lembrou que a deflorestação, a crescente urbanização, as mudanças no uso da terra, a redução de habitats, em conjunto com a mudança climática, estão a destruir a biodiversidade.PMA/James Belgrave

Uma das iniciativas já planeada acontecerá por ocasião do 75º aniversário da organização, no próximo ano. O representante anunciou que será lançado um debate global, em todas as plataformas, com especial enfoque nos jovens, para identificar o que será o futuro do multilateralismo quando a organização atingir o 100º aniversário.

Guterres deixou a garantia que a ONU “fará tudo o que estiver ao seu alcance para aumentar as plataformas nas quais os jovens podem ter um impacto efetivo na maneira como as decisões são tomadas”. O chefe da ONU lembrou que é necessário incluir “os contributos da juventude nos processos de tomada de decisão.”

Ação Climática

De visita à Nova Zelândia, Guterres tem insistido na mensagem de que é necessário mudar a política fiscal para que os impostos dos salários passem a ser impostos para o carbono, ou seja, “taxar a poluição, não as pessoas.”

Guterres tem também alertado que é necessário parar de subsidiar combustíveis fósseis e de construir novas centrais de carvão até 2020, sublinhando que o mundo necessita de “uma economia verde e não de uma economia cinzenta.”

Nações Unidas

Na universidade neozelandesa, o secretário-geral também foi questionado sobre o que está a organização está a fazer para combater as alterações climáticas, que têm impactado significativamente a região do Pacífico.

O secretário-geral explicou que é fundamental “interromper o crescimento das emissões para alcançar a neutralidade em 2015, porque o mais importante é evitar que o nível das águas do mar aumente”.

Ao mesmo tempo, o secretário-geral defende que seja aumentado o apoio necessário para construir resiliência nas comunidades, “porque os impactos já estão aí, particularmente no Pacífico, mas em outras partes do mundo.”

Guterres destacou que a adaptação climática é tão importante quanto a mitigação, e elogiou o facto de instituições financeiras internacionais estarem a apoiar. Ele apontou o exemplo do Banco Mundial que “decidiu dobrar seu apoio à ação climática de 200 milhões para 400 milhões, em cinco anos, e metade disso será para adaptação.”

O secretário-geral também explicou que é crucial mais recursos, incluindo a reposição do Fundo Verde para o Clima, que não foi efetivamente usado para apoiar o Pacífico.

Dando um exemplo concreto como são necessários recursos, Guterres disse que o Bangladesh, por exemplo, poderá enfrentar, em poucas décadas, a necessidade de transferir mais de 20 milhões de pessoas devido àas alterações do clima.

ONU/Mark Garten
Guterres elogiou a Nova Zelândia pela legislação que pretende alcançar um aquecimento climático de 1,5º C.

Biodiversidade

Outra preocupação apontada pelos participantes é a significativa redução do número de espécies animais e vegetais.

Ao ser perguntado sobre esta realidade, que foi analisada num recente relatório da ONU, Guterres garantiu que a organização  mobiliza a comunidade internacional. O secretário-geral lembrou que a deflorestação, a crescente urbanização, as mudanças no uso da terra, a redução de habitats, em conjunto com a mudança climática, estão a destruir a biodiversidade.

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