Aumento da demanda global por frutas tropicais deve beneficiar América Latina e Caribe, diz FAO BR

De acordo com a FAO, o fato de a região latino-americana e caribenha possuir uma grande porção de terra no cinturão tropical contribui com o seu protagonismo nesse nicho da produção agrícola.
Pnud SGP Panama/Andrea Egan
De acordo com a FAO, o fato de a região latino-americana e caribenha possuir uma grande porção de terra no cinturão tropical contribui com o seu protagonismo nesse nicho da produção agrícola.

Aumento da demanda global por frutas tropicais deve beneficiar América Latina e Caribe, diz FAO

Desenvolvimento econômico

Juntos, países latino-americanos e caribenhos formam o segundo maior polo produtor de bananas e frutas tropicais; estima-se que 25% da produção mundial desses bens agrícolas tenha origem na América Latina e no Caribe. 

A atualização das previsões para o comércio global de alimentos da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, FAO, aponta que a América Latina e o Caribe estão particularmente bem posicionados para se beneficiar do aumento da demanda internacional por bananas e frutas tropicais. A região já é a maior exportadora desses bens agrícolas no mundo.

A FAO destaca que juntos, os países latino-americanos e caribenhos formam o segundo maior polo produtor de bananas e frutas tropicais. A estimativa é de que 25% da produção mundial desses bens agrícolas tenha origem na região.

Produção

No triênio 2016-2018, a produção regional chegou a uma média anual de 54 milhões de toneladas de bananas e frutas tropicais.

Ao longo desse mesmo período, as exportações dos produtos acumularam um total de US$ 11 bilhões, com as bananas e abacates respondendo por US$ 6 bilhões e US$ 3,5 bilhões, respectivamente.

Do volume exportado, 80% vai para os mercados dos países desenvolvidos, principalmente para os Estados Unidos e ainda para a União Europeia. Mas a América Latina e o Caribe também se destacam como uma das principais regiões consumidoras de bananas e frutas tropicais, com uma taxa de consumo anual por pessoa estimada em 55 kg.

Cinturão Tropical

De acordo com a agência da ONU, o fato de a região latino-americana e caribenha possuir uma grande porção de terra no cinturão tropical contribui com o seu protagonismo nesse nicho da produção agrícola. Soma-se a isso a proximidade com os EUA, o maior mercado para as principais frutas tropicais.

Segundo a FAO, a combinação desses dois fatores deve se traduzir em perspectivas sólidas de crescimento da produção, impulsionadas pelas exportações.

🔝 Fuertes perspectivas de crecimiento para la producción y el comercio mundial de frutas tropicales

América Latina y el Caribe es el mayor exportador mundial de frutas tropicales

🍌bananos

🍍piñas

🥑aguacates

🍈 papayas

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— FAO Américas (@FAOAmericas) May 9, 2019

A avaliação da agência aponta uma expectativa de aumento da produção mundial e do comércio das principais frutas tropicais, da manga, do abacaxi, do abacate e do mamão. Isso deve ocorrer devido a um crescimento da renda e das mudanças nas preferências dos consumidores, tanto em mercados domésticos quanto de importação.

Outra causa do fenômeno seriam as melhorias no transporte internacional.

Preocupações

Mas a FAO alerta que o futuro também traz preocupações relacionadas aos efeitos das mudanças climáticas e dos fenômenos naturais extremos. A agência explica que as alterações do clima e os desequilíbrios ambientais são altamente prejudiciais e ameaçam o potencial de produção da América Latina e o Caribe.

O território caribenho enfrenta desafios particulares, pois as pequenas ilhas são mais vulneráveis à destruição causada por tempestades tropicais, cada vez mais frequentes.

Outra ameaça é a crescente ocorrência de pragas e doenças que afetam as plantas. A FAO lembra que os sistemas industrializados de produção de bananas e dos abacaxis são consideravelmente mais suscetíveis a surtos rápidos e generalizados.

A agência da ONU enfatiza que um risco particularmente preocupante é o fungo fusarium no cultivo de bananas. Até o momento, a praga tem se limitado a plantações na Ásia, no Oriente Médio e na África, mas o parasita já preocupa produtores na América Latina e o Caribe.

Impacto

Segundo a FAO, o impacto do comércio de alimentos no desenvolvimento social dependerá da inclusão justa dos pequenos produtores, assim como de níveis salariais adequados para os trabalhadores dessas indústrias.

Na Guatemala, por exemplo, cerca de 200 mil famílias rurais participam diretamente da produção de banana e se beneficiam da cadeia produtiva. No México, cerca de 80% da produção de abacate é realizada por pequenos agricultores.

A agência cita uma série de ações essenciais para assegurar um desenvolvimento rural sustentável e inclusivo. Entre essas medidas, estão assegurar preços e salários justos, melhorar a produtividade dos agricultores familiares e seu poder de barganha, aumentar a resiliência a desastres climáticos e outros choques e conectar os locais de produção remotos aos mercados.