Instabilidade no Sahel gerou cinco vezes mais deslocados no último ano
BR

9 maio 2019

Situação no Mali, no Níger e em Burquina Faso pode se espalhar para toda a África Ocidental; representantes das Nações Unidas falam de indícios de uso de dispositivos explosivos similares aos do conflito na Síria.

O número de deslocados na região africana do Sahel subiu cinco vezes nos últimos 12 meses. A ONU estima que durante esse período, mais de 330 mil pessoas deixaram suas casas. A área também gerou cerca de 100 mil novos refugiados.

Em Genebra, coordenadoras residentes e humanitárias da organiza   ção no Mali, no Níger e em Burquina Faso fizeram um apelo por mais fundos, para apoiar milhões de afetados pelo agravamento da violência.

A coordenadora humanitária no Mali, Mbaranga Gasarabwe, disse que muitos dos que têm sido afetados pela violência já enfrentavam dificuldades extremas. Foto: ONU/Rick Bajornas

Dificuldades

As altas funcionárias alertaram que a instabilidade nos três países pode ser espalhada para a região da África Ocidental.

A coordenadora humanitária no Mali, Mbaranga Gasarabwe, disse que muitos dos que têm sido afetados pela violência já enfrentavam dificuldades extremas. A atual situação é para eles “uma dupla devastação”.

Uma das principais preocupações das Nações Unidas é a repetição dos ataques violentos pelos grupos armados, que são até quatro vezes mais frequentes do que em 2012, quando teve início a crise de segurança do Mali.

As áreas prejudicadas pela atual crise incluem a prestação de serviços sociais básicos às comunidades como educação, saúde, setor de água e abrigo. A insegurança no país obrigou a fechar mais de 1,8 mil escolas e 80 centros de saúde.

Causas

A coordenadora residente e humanitária da ONU no Níger, Bintou Djibo, disse que são essenciais esforços como apoio sustentado, desenvolvimento econômico e social na região. A representante declarou que uma das principais causas da violência “é um sentimento de marginalização e privação de direitos.”

Para Burquina Faso, Mali e Níger foram recebidos somente 19% dos US$ 600 milhões necessários para ajudar 3,7 milhões necessitados em situação crítica.

A coordenadora residente da ONU para o Burquina Faso destacou a urgência da situação apontando que “o futuro de toda uma geração está em jogo”. Metsi Makhetha destacou ataques de grupos armados que parecem “inspirados na ação do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil.

FAO/Fida/PMA/Luis Tato
Os governos de Burkina Faso, Mali e Níger adotaram a Declaração das Escolas Seguras, comprometendo-se com a proteção e a continuação da educação em conflitos armados.

Operações

Esses atos ameaçam perturbar os métodos tradicionais de resolução de conflitos baseados na comunidade. Ela disse que é preciso fazer mais, apesar da ONU, organizações humanitárias parceiras e governos terem reforçado suas operações. 

As funcionárias das Nações Unidas apontaram ainda para indícios de uso de dispositivos explosivos similares aos usados no conflito na Síria, ao pedirem ação urgente para ajudar as comunidades vulneráveis no Sahel.

Minusma/Sylvain Liecht
A missão de paz no Mali é a mais perigosa em todo o mundo para os boinas-azuis da ONU.

 

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